Andréa del Fuego vence Prémio José Saramago com "Os Malaquias"

Andréa del Fuego vence Prémio José Saramago com "Os Malaquias"

Lisboa, 25 out (Lusa) -- A brasileira Andréa del Fuego, 36 anos, é a vencedora do Prémio Literário José Saramago, no valor de 25 mil euros, com o romance "Os Malaquias", foi hoje anunciado na sede do Grupo BertrandCírculo, em Lisboa, pela presidente do júri, Guilhermina Gomes.

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Esta é a sétima edição do galardão que distingue autores com obra editada em língua portuguesa, no último biénio, menores de 35 anos à data de publicação da obra.

O prémio foi atribuído por unaminidade e é entregue a Andréa del Fuego por Pilar del Río, presidente da Fundação José Saramago e viúva do Nobel da Literatura, que também integrou o júri.

Além da editora Guilhermina Gomes e de Pilar del Río, o júri foi constitído pela escritora Nélida Piñon, a poetisa Ana Paula Tavares e o escritor Vasco Graça Moura. Por escolha da presidente, integraram também o júri Manuel Frias Martins, Maria de Santa Cruz e Nazaré Gomes dos Santos.

Nelida Piñon salienta em ata o "inusitado vigor" da narrativa de Andréa del Fuego e considera o seu talento "talhado" para o Prémio Saramago.

Referindo-se à obra premiada, Piñon afirma: "é um romance áspero, poético, original. Voltado para a paisagem rural, a que raramente os autores contemporâneos se circunscrevem, seu perfil arcaico e trágico suscitam emoções intensas."

"Oferta-nos -- prossegue - uma leitura da qual não se sai incólume, cada capítulo traçado para nos perturbar. Uma criação que, enquanto avança, sem pausa que nos console, distancia-se dos intimismos, dos individualismos exacerbados, do falso cosmopolitismo que ora pauta a produção urbana. Como se estivera a autora centrada em retratar a injustiça e a crueldade de que somos forjados".

Nazaré Gomes dos Santos salienta a "luminosidade" das personagens e afirma que este romance é uma "obra-prima de renovação originalíssima do romance brasileiro, simbiose perfeita de tradição e modernidade, cada episódio, cada personagem tem sentido, ou seja, `é alinhavado``como água que se assenta depois da queda`".

Afirma Nazaré Gomes dos Santos que as "personagens [são] feitas de uma luminosidade e única individualidade, iluminadas por dentro, através de uma invenção de linguagem que, como também já foi sugerido, reúne as palavras mais inesperadas".

Maria de Santa Cruz, por turno, afirma que a laureada "formula uma oblação quase pura, oferenda sacrificial de renovada fé na fertilidade da terra e na vida familiar e comunitária".

Referindo-se a Andréa del Fuego declara: "Esta re-criadora parece cruel e injusta como os deuses que, na sua ambiguidade, se permitem renegar uma de duas oferendas. Inusitado, originalíssimo. Tradicional e atual. Seiva exemplar, sem pretensões".

Manuel Frias Martins salienta a "narrativa ritmada por cenas itercadentes de vida, relativamente autónomas na economia global do romance, onde convivem candura e alguma violência, e no registo estilístico de uma linguagem tremendamente seca e austera".

A poetisa angolana Ana Paula Tavares escreve que "`Os Malaquias` se dão a conhecer num intrincado jogo que a escrita controla e refaz. O resultado é misterioso mas absolutamente fascinante".

Vasco Graça Moura afirma que "a escrita surpreende insuspeitados recursos de estranheza na coloquialidade quotidiana e desenvolve-se num ritmo muito seguro, perturbante e por vezes quase alucinatório. Não sendo propriamente afim dos processos de encadeamento da oralidade praticados por José Saramago nos seus romances, esta atenção à fala, às suas inflexões e às modalidades dos seus registos populares, acaba por redundar numa homenagem importante ao patrono deste prémio".

Andréa del Fuego que se estreou literariamente em 2004 com a antologia de contos "Minto enquanto posso", recebeu já este ano o Prémio São Paulo de Literatura.

Natural de São Paulo, Andréa del Fuego tem formação em publicidade, fez produção de cinema e realizou duas curtas-metragens.

Desde a obra inicial, "Minto enquanto posso", já editou, entre outros, "Nego Tudo", "Engano seu" , "Nego fogo " e os juvenis "Quase caio" e "Sociedade da Caveira de Cristal".

Paulo José Miranda, Adriana Lisboa, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe e João Tordo foram os nomes premiados com este galardão nas edições anteriores.

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