"Anfitrião", de António José da Silva, estreia em teatro de papel dia 22
O Teatro Nacional de S. João, Porto, estreia dia 22, em parceria com o Teatro de Formas Animadas, Vila do Conde, sob a forma de teatro de papel, a peça "Anfitrião", de António José da Silva (O Judeu).
Numa escala miniaturizada, as peripécias de Júpiter e Alcmena são conduzidas no interior de uma maqueta do Teatro Nacional de S.
João.
A peça resulta do cruzamento das técnicas de ilustração gráfica, do teatro de marionetas e do contador de histórias, em que cenários, actores e outros elementos cénicos são inteiramente desenhadas, coloridas e recortadas em cartão.
Depois da temporada, que encerrou domingo, de "Anfitrião ou Júpiter e Alcmena", com actores de carne e osso e encenação de Nuno Carinhas, é agora a vez de os actores de papel darem voz aos deuses e heróis do texto que António José da Silva transformou na ópera apresentada no Teatro do Bairro Alto de Lisboa, em 1736.
As duas versões são os mais aproximadas possível, ao ponto de os figurinos que os primeiros envergaram serem copiados para o papel e colados aos actores miniatura.
"Esta co-produção com o TNSJ dá credibilidade à nossa arte e colabora para que seja possível um dia recolocá-la no seu devido lugar, valorizando a sua produção, reconhecendo a sua história e ajudando a traçar o seu futuro", afirmou Marcelo Lafontana, director do Teatro de Formas Animadas de Vila do Conde.
Lafontana assina, em parceria com Victor Madureira, Andreia Gomes e José Coutinhas, a criação, encenação, dramaturgia e adaptação do texto.
"A escolha desta peça justificou-se pela intemporalidade dos temas tratados, pela qualidade da obra e a importância do autor em causa", disse Marcelo Fontana, sublinhando que a parceria com José Coutinhas viabilizou "o delicado processo de adaptação da escrita".
Acrescentou que "na adaptação/encenação do texto do Judeu mantêm-se intactos a complexidade hilariante do enredo, os jogos de humor e escárnio e a constante mudança de espaços, situações e personagens que surpreende e mantém viva a atenção do espectador".
Explicou ainda que a partitura musical criada por Eduardo Patriarca começa por abordar elementos da música barroca, evoluindo e transformando-se ao longo da peça, com a introdução de novas sonoridades de carácter mais experimental.
"Quisemos materializar no palco, uma comédia eficaz, directa, rápida e contagiante e de gargalhada fácil", disse, referindo que em relação à forma e à linguagem final do espectáculo, este "Anfitrião" explora elementos próximos da ilustração, do cinema de animação e da banda desenhada.
Apesar de serem planas, como é regra no teatro de papel, "procuramos rechear cada uma das figuras com uma alma tão rica como orgânica, verosímil e vibrante", afirmou.
"Definimos um estilo de representação muito próximo do teatro popular de bonecos, procurando o riso através da utilização do grotesco, do inusitado, do truque e da caricatura de tipos e atitudes", concluiu.
Esta co-produção do TNSJ com o TFA, que surgiu no âmbito do PoNTI 2004 e do XIII Festival da União dos Teatros da Europa, inicia a 26 de Outubro, em Famalicão, uma digressão por diversos espaços da Área Metropolitana do Porto.
Segue-se a apresentação em Matosinhos, Maia e Gaia.