Antecipando a estreia do filme "Playback", as canções de Carlos Paião saltam da tela para o palco

Antecipando a estreia do filme "Playback", as canções de Carlos Paião saltam da tela para o palco

As canções de Carlos Paião enchem o palco Fado Café do festival NOS Alive. Rafael Ferreira interpreta Carlos Paião no filme e em concerto. O músico The Legendary Tigerman é o responsável pelos novos arranjos e pela banda sonora do filme "Playback".

Margarida Vaz - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Foto: Margarida Vaz - RTP Antena 1

Reinterpretar Carlos Paião sem imitar: «Vou ser eu a cantar aquelas músicas», diz o ator Rafael Ferreira
Interpretar Carlos Paião foi, acima de tudo, um exercício de descoberta e apropriação artística. Depois de pesquisar os maneirismos e a energia do músico, o ator Rafael Ferreira decidiu afastar-se da imitação. «Vou ser eu a reinterpretar as canções que não são minhas, que são dele», explica.

«Não seria justo imitar ou tentar imitar. É pegar no extraordinário que já é e levá-lo um bocadinho aos dias de hoje.»

Da apreensão aos ensaios «naturais»
A passagem do estúdio para o palco trouxe alguma insegurança. «Ao vivo não temos tempo, não temos tentativas», admite Rafael Ferreira. A apreensão levou-o a ensaiar sozinho na sala de estar e até a questionar The Legendary Tigerman, responsável pelos arranjos, se seria necessário baixar os tons das canções.

Os receios dissiparam-se nos ensaios. «Foi só chegar, juntar e divertirmo-nos», recorda, defendendo que a arte, também, serve para «nos esquecermos dos tempos sombrios que vivemos» e, simultaneamente, refletir sobre eles.

«Discoteca» tornou-se a canção preferida

Antes do projeto, conhecia sobretudo temas como Pó de Arroz, Playback, Cinderela e Vinho do Porto. A descoberta do repertório revelou novas canções, entre as quais «Discoteca», que se tornou a sua favorita.

«É uma balada sensual, sexy. Gosto bastante.»

Rafael Ferreira reconhece ainda uma afinidade com a ousadia de Carlos Paião: «Ele era bastante atrevido a interpretá-la e eu atrevido sou.»

Uma ligação inesperada a Carlos Paião

A responsabilidade do papel surpreendeu, também, a família. Uma coincidência tornou o projeto ainda mais próximo: o colega de casa do ator Rafael Ferreia tem uma ligação familiar a Carlos Paião e a Ílhavo.

«Puto, vê lá se fazes isto em condições, com a minha família aqui em cima», brincou o amigo. Uma proximidade que o intérprete descreve como «uma energia muito interessante».

E convida a descobrir as canções de Carlos Paião, no concerto e no filme de Sérgio Graciano.

Carlos Paião entre a memória e novas sonoridades. «É uma grande responsabilidade» diz The Legendary Tigerman

The Legendary Tigerman: «É uma grande responsabilidade mexer na obra de Carlos Paião».

Reinterpretar a música de Carlos Paião implicou «um grande cuidado e um grande respeito pela intenção original» do compositor. Para The Legendary Tigerman, o músico responsável pelos novos arranjos e pela banda sonora do filme, o desafio é particularmente exigente porque as canções estão «muito profundamente instaladas na memória coletiva e no cancioneiro português».

«Deu-me imenso prazer revisitar as músicas do Carlos Paião e trazê-las para 2026.»

Canções mais densas e ambientes à «Twin Peaks»

Sem perder a essência original, o músico Paulo Furtado, The Legendary Tigerman, procurou explorar novas camadas sonoras. «Acho que as músicas ficaram mais densas, se calhar também mais estranhas», explica, descrevendo ambientes «quase meio Twin Peaks», referências aos anos 80 e guitarras mais próximas da sua própria identidade musical.

O trabalho de The Legendary Tigerman estendeu-se à banda sonora do filme, pensada como um todo com as versões das canções de Paião. «As músicas diegéticas, a banda sonora e as versões do Carlos Paião estão muito ligadas.»
Levar Carlos Paião a uma nova geração
Manter vivo o repertório dos músicos é, defende, essencial. «É muito importante reinterpretar, voltar a mergulhar neles», afirma. O objetivo é também apresentar Carlos Paião a uma geração que poderá conhecer apenas «duas ou três canções» mais populares.

Temas como Playback, Discoteca, Não Sou Poeta e Vinho do Porto revelaram-lhe um compositor «muito fora da caixa», capaz de fazer uma «crítica mordaz» e de retratar, com inteligência, «o que é ser português e a alma portuguesa».

Do filme para o palco
A estreia ao vivo das novas versões abre agora outra etapa. «Já nos apropriámos das músicas do Carlos e já são um bocadinho nossas», admite. Para o músico The Legendary Tigerman, os concertos vão permitir que as canções de Carlos Paião continuem a transformar-se e a crescer: «É um processo que começa hoje e é bastante excitante.»

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