Antologia de 50 anos de teatro de revista de Anita Guerreiro sai em Junho
A Movieplay Portuguesa edita a 06 de Junho um duplo CD que é uma antologia dos "50 anos de teatro de revista" de Anita Guerreira, recuperando do vinil êxitos como "Hermínia de Lisboa".
Anita Guerreiro estreou-se no Teatro de Revista em 1954 "de uma forma retumbante", disse à Agência Lusa a fadista Julieta Estrela que foi sua "afilhada de palco", em 1955.
"A Anita em três meses tornou-se uma vedeta sem favor e foi um sucesso retumbante, com vários êxitos que o povo cantava na rua", disse.
"Cheira bem, cheira a Lisboa", "Sinos", "Calçadinha à portuguesa", "Ai, ai Lisboa", "Boneca de trapos", "Santo António veio a Alfama" ou " O fumo do meu cigarro" são alguns dos temas que integram este duplo CD.
Em declarações à Lusa, a artista afirmou preferir ser actriz a cantar.
"Não quero dizer que não goste de cantar e não me empenhe, mas o que mais me satisfaz mesmo é ser actriz", disse Anita Guerreira.
A fadista estreou-se em Fevereiro de 1954 no palco do Teatro Variedades, no Parque Mayer, em Lisboa.
"Eu ainda era menor e tive uma autorização especial do coronel Óscar de Freitas para actuar", lembrou.
Anita Guerreiro é o nome artístico de Bebiana Guerreiro, encontrado pelos produtores de "Comboio das seis e meia", um programa de rádio de grande popularidade.
Uma vizinha sua candidatou-a ao concurso "Tribunal da Canção", desse programa. "Assim que me ouviram levaram-me ao Marques Vidal e nem concorri, cantei logo", recordou à Lusa.
"Eu gostava de cantar, do mundo do espectáculo e o dia em que estreei na revista `Ó Zé aperta o laço` foi um delírio, era a realização de todos os meus sonhos", disse.
Vencedora do Prémio Estevão Amarante (1969/70) e de uma Guitarra de Ouro, em Angola, onde chegou a residir, Anita Guerreiro tem-se tornado mais conhecida das novas gerações através dos papéis que desempenha em várias telenovelas.
Anita Guerreiro afirmou que deve à televisão a popularidade que hoje tem junto "de uma faixa etária mais nova", depois do interregno que fez na década de 1970, quando foi para os Estados Unidos.
Julieta Estrela lamenta o facto de "a faceta de fadista e grande intérprete de Anita estar hoje mais esquecida".
Anita Guerreiro reconhece isso mesmo e afirmou à Lusa: "Foi a partir da telenovela `Olhos de Água` (2001) que os mais novos começaram a tomar atenção em mim. Quando passam sempre dizem `olha lá vai a fadista`".
Depois de regressar dos Estados Unidos, em 1982, Anita Guerreiro integrou o elenco da revista "Há mas são verdes", onde criou os fados "Hermínia de Lisboa", em homenagem a Hermínia Silva, e "Calçadinha à portuguesa", ambos presentes no duplo CD a editar e Junho.