Apoio às famílias tem sido lento diz Bispo de Leiria-Fátima CÁUDIO
O bispo da Diocese de Leiria-Fátima considerou hoje que o apoio a famílias e estruturas locais atingidas pelo mau tempo tem sido lento, atribuindo a situação "à morosidade de processos" que "fazem as pessoas perder a paciência".
"(...) A reparação estrutural e a ajuda que as pessoas e as famílias e as estruturas locais precisam, isso tem vindo a ser lento. Deve-se também, acho, à morosidade de processos que foram criados e que não ajudam", disse José Ornelas, na conferência de imprensa que antecede a peregrinação internacional ao Santuário de Fátima, que hoje começa.
O prelado adiantou ter conhecimento de "instituições que já têm o provimento das verbas necessárias, mas que, depois, embatem com outras regras".
"Estou a falar de casos concretos e isto é generalizado. Mais, quando estas estruturas que estão à frente das compensações necessárias, por exemplo, quando os seguros não funcionam, quando aquilo que foi providenciado pelo Estado e bem para estas pessoas, ainda não chegou ao destino, outras formas complementares, diga-se a Cáritas", avançam, adiantou.
Contudo, o bispo reconheceu que "tantas vezes as pessoas têm de esperar", porque, caso contrário, vão "ter depois de devolver aquilo que receberam do Estado", para não haver duplicação de apoios e "para que tudo se faça com justiça".
"Nós precisamos de um sistema bastante mais claro e mais efetivo, para chegar às pessoas e às suas necessidades. Algo já foi feito, mas há processos que fazem as pessoas perder a paciência também, e não só a paciência", declarou, destacando haver "instituições que estão a adiantar meios que, eventualmente, no futuro poderão ser restituídos, porque as pessoas têm a necessidade de viver".
José Ornelas considerou, por outro lado, que as empresas têm feito "um esforço muito grande", para "evitar o pior que se temia, que era um desemprego generalizado".
"Sei de muitas empresas que estavam a acabar de pagar, por exemplo, os danos sofridos com os incêndios de 2017 e que agora estão a perder outra vez", adiantou, elogiando a "coragem dos empreendedores".
Segundo o bispo de Leiria-Fátima, "quando se fala de um relançamento da economia, sem estas pessoas não se fazia e elas precisam de mais apoio e de um apoio atempado", para que "possam ter capacidade de se levantar e de contribuir para restaurar uma normalidade e um progresso que esta região é capaz de gerar".
A Diocese de Leiria-Fátima abrange os concelhos de Leiria, Batalha, Porto de Mós, Marinha Grande e Ourém, e parcialmente Alcanena, Alcobaça e Pombal.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metades das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.
O Governo recebeu, entretanto, cerca de 35.900 candidaturas para apoios à reconstrução de habitações e a Estrutura de Missão designada para a recuperação estimou entre 35 mil e 40 mil o número de empresas com danos nas zonas mais atingidas. Três meses após o início das tempestades, cerca de 20 mil clientes continuam sem serviços fixos de comunicações.