Arca d`Água das Amoreiras, em Lisboa, esvazia-se pela primeira vez para uma instalação de Manuel Carmo

Arca d`Água das Amoreiras, em Lisboa, esvazia-se pela primeira vez para uma instalação de Manuel Carmo

O depósito de água com capacidade para 5.500 metros cúbicos na Mãe d`Água das Amoreiras, em Lisboa, vai ser esvaziado pela primeira vez, na próxima terça-feira, para dar lugar a uma instalação de Manuel Carmo.

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A Mãe d`Água nas Amoreiras é parte do Museu da Água, que inclui outros núcleos, nomeadamente no Olival Sagrado (arredores de Lisboa), em Campolide e nos Barbadinhos, também em Lisboa.

O depósito conhecido como "Arca d`Água" estará completamente vazio durante quatro dias para receber nove fotografias de grandes dimensões a preto e branco.

"São fotografias do próprio Manuel Carmo, todas com 7,5 metros de altura e largura variável entre os 08 e os 2,5 metros", disse à Lusa fonte do Museu da Água.

Manuel Carmo foi fotografado por três outros fotógrafos, segundo instruções suas, explicou o artista à Lusa.

"Pedi ao João Pinto Ribeiro, João Castro e Rogério Vital que fizessem o clique no momento certo, depois de eu ter escolhido a posição e o enquadramento, e nisso tive uma colaboração extraordinária", indicou.

A instalação, intitulada "In Definition - The corridor of water in life", estará na Arca de Água até sexta-feira, sendo depois transferida para o terraço da Mãe d`Água, onde será instalada uma pérola gigante de quatro metros que representa a essência da água.

A instalação só pode permanecer quatro dias na Arca d`Água, "na medida em que o depósito não pode ficar mais tempo vazio", assinalou fnte do Museu da Água.

Na explicação de Manuel Carmo, a entrada da Mãe d`Água será "forrada" por uma lona pintada "apenas com traços e pontos a preto e branco", "caminho iniciático" que procura "apresentar o mais básico da pintura, reduzindo-a ao essencial que são os traços e os pontos com que começa tudo".

Para a comissária internacional da instalação, Gillan Goya, está-se em presença de "uma viagem teatral do nascimento à morte, e [Carmo] transformou o Museu na Divindade da Água, uma mediação na vida humana - para onde vamos - onde gostaríamos de estar".

Por seu lado, a directora do Museu, Margarida Ruas, afirma que Carmo "ocupa-se da água como um poeta primordial" e esta instalação é a "síntese pura da pintura, da escultura, da palavra e da fotografia, rompendo tudo o que está feito e iniciando uma nova ordem, uma nova estética, uma nova filosofia".

Além da instalação de Manuel Carmo, que de Lisboa seguirá para o Museu de Arte Contemporânea de Veneza, e depois se apresentará em Nova Iorque e Berlim, a directora do Museu salientou "a oportunidade única de, pela primeira vez na história, ser possível ver a Arca d`Água vazia".

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