Armando Alves. Presidente da República recorda figura maior da arte portuguesa
O Presidente da República, António José Seguro, lamentou hoje a morte do pintor Armando Alves, recordando "o pintor, escultor e designer gráfico que foi uma das figuras maiores da arte portuguesa contemporânea".
Uma mensagem publicada no `site` da Presidência da República dá conta de que "foi com pesar que o Presidente da República recebeu a notícia" da morte do artista cofundador da Cooperativa Árvore, no Porto, nascido em Estremoz em 1935, e que "construiu, ao longo de mais de seis décadas, uma obra de referência que atravessou a pintura, a escultura e o design gráfico, marcada pela depuração do traço, pela profundidade da cor e por uma relação singular com a paisagem do Alentejo".
"A ligação fundadora ao grupo Os Quatro Vintes, que reuniu, na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, Armando Alves, Ângelo de Sousa, José Rodrigues e Jorge Pinheiro, inscreveu-o num dos momentos mais fecundos da arte portuguesa do século XX", prossegue a mensagem da Presidência da República.
A mensagem sublinha ainda "a marca douradora" de Armando Alves "em gerações de artistas", na "renovação do design gráfico em Portugal" e através do "magistério que exerceu", considerando-o "uma das figuras maiores da arte portuguesa contemporânea".
"O Presidente António José Seguro apresenta as suas condolências à família de Armando Alves e a todos quantos com ele partilharam o ofício e a dedicação à cultura portuguesa", nota ainda a mensagem.
O pintor Armando Alves morreu hoje, aos 90 anos, anunciou a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP). Com um percurso na pintura de mais de seis décadas, foi também pioneiro no design, sendo responsável, sobretudo a partir do final dos anos 1960, pela valorização e renovação da área das artes gráficas, introduzindo-as no ensino a nível académico, na edição literária e na publicidade.
Armando Alves foi agraciado em 2006 com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Mérito e, em 2009, recebeu o Prémio de Artes Casino da Póvoa, numa carreira longa entre o trabalho como pintor, a docência e a construção de uma memória gráfica da vida cultural da cidade do Porto.
Com Ângelo de Sousa (1938-2011), José Rodrigues (1936-2016) e Jorge Pinheiro (1931), todos formados com a nota máxima na Escola de Belas-Artes do Porto - atual FBAUP -, apresentou várias exposições no final da década de 1960, nomeadamente na Galeria Domingues Alvarez (Porto, 1968), na Galeria Zen (Porto, 1969), na Sociedade Nacional de Belas Artes (Lisboa, 1970) e na Galeria Jacques Desbrière (Paris, 1970).
Em 2025, a Cooperativa Árvore, no Porto, expôs obras do artista plástico desde 1958 até à atualidade, numa mostra "artística e afetiva" que visou assinalar os 90 anos do artista, no dia 07 de novembro.