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Arquivo da pintora mexicana Frida Kahlo vai ser aberto ao público em 2007

Arquivo da pintora mexicana Frida Kahlo vai ser aberto ao público em 2007

O arquivo documental da pintora mexicana Frida Kahlo, falecida em 1954, que permaneceu encerrado durante quase cinquenta anos, vai ser aberto ao público no Verão de 2007, revelou o director do Museu Dolores Olmedo.

Agência LUSA /
Os documentos encontravam-se no Museu Frida Kahlo, no bairro de Coyoacã, Sul da Cidade do México DR

De acordo com Carlos Phillips Olmedo, a abertura do arquivo será uma das iniciativas a realizar no âmbito das comemorações do centenário do nascimento da pintora, em 1907, e do cinquentenário da morte do marido, o muralista mexicano Diego Rivera (1886-1957).

Numa conferência de imprensa, o responsável do museu revelou que o arquivo reúne cerca de 30.000 documentos, entre fotografias, desenhos e cartas tanto da pintora como do marido.

Explicou ainda que o acervo está a ser catalogado pela Fundação Alfredo Harp Helú de Oxaca, um dos maiores coleccionadores de arte de Kahlo, e que especialistas da Universidade Nacional Autónoma do México estão a tentar determinar o valor artístico e histórico de cada uma das peças.

Carlos Phillips Olmedo indicou que entre os documentos estão cartas trocadas com amigos, mas não foi possível adiantar pormenores porque "existe um acordo de confidencialidade até 2007, quando será conhecido todo o acervo".

Os documentos encontravam-se no Museu Frida Kahlo, no bairro de Coyoacã, no sul da Cidade do México, onde permaneceram guardados em caixas até 2004, quando se iniciou a sua catalogação.

Durante as comemorações, que decorrerão entre Julho e Novembro de 2007, vão ser realizadas exposições no México e nos Estados Unidos para assinalar a vida e obra de dois dos mais importantes artistas mexicanos da primeira metade do século XX.

O Centro Cultural de Belém, em Lisboa, acolheu este ano, entre Fevereiro e Maio, a maior exposição de sempre realizada em Portugal da obra de Frida Kahlo, que foi visitada por 105.220 pessoas, segundo dados fornecidos à Lusa pela organização.

De acordo com a mesma fonte, o CCB não tinha tanta afluência de público a uma exposição desde o final dos anos 90, nomeadamente com a mostra de pintura da artista Paula Rego, em 1997, que atraiu 62.000 pessoas.

Outras exposições naquele espaço que tiveram muitos visitantes foram, no mesmo ano, a "Pop Art", com 35.400 pessoas, e "Viagem ao Século XX", com 91.500, realizada em 1998.

"Frida Kahlo" foi a maior e mais completa exposição sobre a obra da pintora mexicana realizada nas últimas décadas na Europa, e Lisboa foi a terceira e última cidade a recebê-la, depois da Tate Modern de Londres e da Fundación Caix a Galicia, em Santiago de Compostela.

A mostra consistiu em 26 pinturas provenientes do Museu Dolores Olmedo, no México, onde se encontra a maior colecção mundial da artista, e também incluiu fotografias, páginas do diário de Frida Kahlo e vestidos semelhantes aos que usou.

Passados 51 anos sobre a sua morte, a pintura de Frida Kahlo (1907-1954 ) continua a despertar o interesse do público devido à sua arte controversa e à história da sua vida, marcada pelo sofrimento físico devido à doença e por amores difíceis.

A relação amorosa com o pintor Diego Rivera lançou a sua carreira, mas Frida Kahlo viria a consolidar a sua obra e a tornar-se na pintora mexicana mais conhecida em todo o mundo, conseguindo expor os seus quadros, ainda em vida, no meadamente no meio artístico de Nova Iorque.

A obra de Kahlo foi influenciada por uma época de grande ebulição política e social, mas ficou marcada sobretudo pela vivência pessoal da artista, que fez de si própria o tema principal dos quadros que pintava.

Amante da cultura tradicional mexicana, em especial do legado Azteca, esta artista autodidacta descreveu o seu drama pessoal através da figuração e de cores intensas, chegando a ser inserida pelos críticos no movimento Surrealista.

Aos 18 anos, quando seguia para a escola num autocarro, sofreu um acidente de viação que a forçou a ficar acamada durante muito tempo, mas essa situação infeliz proporcionou as condições para começar a pintar.

Devido aquele grave acidente, a artista passou grande parte da sua vida imobilizada, foi alvo de diversas operações, não conseguiu ter filhos, como muito desejou, e padeceu sempre de dores fortes.

Este sofrimento é expresso em quadros como "A Coluna Partida" (1944), " O Camião" (1929), "Unos Quantos Piquetitos" (1935), "Hospital Henry Ford" (1932) e "Auto-Retrato com Macaco" (1945).


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