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Astérix em mirandês

Astérix em mirandês

A banda desenhada do Astérix vai ser traduzida para mirandês, com a edição de três mil exemplares prevista para Setembro, disse hoje à Lusa um dos autores da tradução, Amadeu Ferreira.

Agência LUSA /

A versão mirandesa das aventuras do herói gaulês será lançada a 16 de Setembro, em Lisboa, no "El Corte Inglês" e depois apresentada às crianças das escolas de Miranda do Douro, no início do novo ano lectivo.

"É um passo importantíssimo para a divulgação da língua", na opinião de Amadeu Ferreira, natural de Miranda do Douro e estudioso do mirandês, que se tornou a segunda língua oficial de Portugal, há quase sete anos.

A publicação é assegurada pela editora ASA, a representante em Portugal das aventuras do Astérix, traduzidas já em mais de uma centena de línguas em todo o mundo.

Depois das traduções nas línguas nacionais, os responsáveis por esta banda desenhada decidiram traduzi-la para as chamadas línguas minoritárias e o mirandês foi uma das contempladas.

"É extremamente importante, para a divulgação da língua junto das crianças, pois não há muita coisa para elas em mirandês", afirmou o responsável pela tradução, em colaboração com mais dois mirandeses:

Domingos Raposo e Carlos Ferreira.

Esta iniciativa permitirá também divulgar a língua minoritária junto de coleccionadores, que aproveitam este tipo de edições para acrescentar às suas colecções, segundo ainda Amadeu Ferreira.

As aventuras do Astérix juntam-se a pouco mais de meia dúzia de publicações em mirandês, editadas, sobretudo na terra de origem da língua, confinada a um pequeno território, praticamente equivalente ao concelho de Miranda do Douro, junto à fronteira com Espanha.

O mirandês é falado por pouco mais de 12 mil pessoas e a sua tradição tem sido transmitida oralmente ao longo dos tempos.

O reconhecimento como segunda língua oficial pela Assembleia da República, em 1998, conseguiu vencer algum preconceito que existia em relação à "lhengua" e despertar maior interesse pela mesma.

O jornal regional "Nordeste" publica semanalmente uma página em Mirandês e uma rádio de Miranda do Douro, a Mirandum, um programa naquela língua.

Os primeiros passos para a escrita do mirandês foram dados com a publicação de uma convenção ortográfica, um conjunto de regras para escrever um língua essencialmente falada.

HFI.


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