Banda da GNR abre Festival de Vilar de Mouros

Banda da GNR abre Festival de Vilar de Mouros

A Banda da GNR abre sexta-feira a edição comemorativa dos 35 anos do Festival de Vilar de Mouros, Caminha, dominada novamente pelo rock, mas com espaço também para o reggae, pop, jazz, electrónica e "western-fado".

Agência LUSA / Adicionar como fonte informativa
Inauguração DR

Dirigidos pelo major Jacinto Montezo, os 115 músicos da banda filarmónica da GNR vão interpretar obras de Jorge Salgueiro, Leonard Bernstein, Frederico de Freitas, J. Gimenez, Dimitri Shostakovich e Don Gillis.

O programa é bem diferente dos das actuações da Banda da GNR nas edições históricas de 1968 e 1971 do Festival de Vilar de Mouros, anos em que os músicos militares interpretaram temas como a "Abertura 1812", de Tchaikovsky, e obras encomendadas pelo "pai" do festival, António Barge, a Joly Braga Santos e António Victorino d`Almeida.

O regresso da Banda da GNR a Vilar de Mouros, 35 anos depois da última actuação no festival, vai acontecer no palco construído para a edição de 1982.

No palco principal, os cabeças-de-cartaz são Iggy Pop & The Stooges, sábado, e dois nomes do rock mais pesado, os brasileiros Sepultura, sexta-feira, e os britânicos Cradle of Fylth, domingo, dia em que actuarão também os Soulfly, banda criada por um dos fundadores dos Sepultura, Max Cavalera.

Ainda no rock, vão actuar os britânicos Hundred Reasons, os neo- zelandeses Datsuns, os galegos A Banda de Poi e os portugueses Vicious Five, Táxi, Mosh, Moonspell e Xutos & Pontapés, a primeira banda a garantir uma terceira presença (depois de 1996 e 2001) no palco principal do "festival da vaca malhada".

Outro nome em destaque é o do também regressado Tricky (esteve em 2003), com o seu trip-hop, estando o palco principal reservado ainda para algum pop mais contemplativo, com os britânicos Mojave 3 e o espanhol Deluxe, e para a electrónica dos multinacionais MAU.

Um dos grupos que Vilar de Mouros deu a conhecer aos portugueses, com quem estabeleceram uma relação muito forte, os Durutti Column, regressam 24 anos depois para actuar num ambiente mais intimista, uma tenda temática por onde vão passar também os Dead Combo, 7 Magníficos, Rock Is Not Dead, Phill Case e Led On, banda tributo aos Led Zeppelin que inclui o ex-Salada de Frutas Zé Nabo.

O palco de betão vai receber o jazz do Trio da Onça e do Quarteto João Guimarães, o rock dos CineMuerte, TwentyInchBurial e Temple e o reggae dos Kussondulola, Soundsista`s, Mofyah Sound System, In Ghetto Soundsystem, Youthculture e Sativa.

O Festival de Vilar de Mouros começou por ser um evento anual centrado no folclore e na música popular do Alto Minho e da Galiza, entre 1965 e 1967, ganhando em 1968 uma relativa projecção nacional, com a actuação na aldeia da Banda da GNR, Zeca Afonso, Carlos Paredes e Adriano Correia de Oliveira.

Apostado em colocar Vilar de Mouros "no mapa" com um grande evento, o médico António Barge, nascido no concelho de Caminha e radicado em Lisboa, decidiu fazer um interregno de três anos para preparar cuidadosamente aquele que viria a ficar para a história como o "Woodstock português".

Elton John, Manfred Mann, Quarteto 1111, Sindicato e Pop Five Incorporated foram alguns dos nomes que levaram à aldeia milhares de jovens portugueses e estrangeiros em Agosto de 1971.

São os 35 anos desse por muitos considerado o primeiro Festival de Vilar de Mouros que os actuais organizadores, a produtora Portoeventos, decidiram comemorar, com um cartaz que junta 35 bandas por 35 euros, preço do bilhete único válido para os três dias.

O cartaz comemorativo apela também a recordações de outra edição histórica, a de 1982, que teve a estreia em Portugal de grupos como os U2, Durutti Column, Echo & The Bunnymen, Gist e A Certain Ratio, a par dos consagrados Stranglers, Tom Robinson, Johnny Copeland, Renaissance e Sun Ra Arkestra.

O Festival de Vilar de Mouros só regressou em 1996, assumindo regularidade anual a partir de 1999.

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