Belle toujours é filme de "grande modernidade estética"-Ministra Cultura
"Belle Toujours", de Manoel de Oliveira, hoje exibido na Mostra de Veneza, é um "filme de grande modernidade estética", um "grande momento" de cinema, que o público e o crítica acolheram com entusiasmo, disse hoje à Lusa a ministra da Cultura.
Isabel Pires de Lima assistiu à projecção e, no final, em contacto telefónico com a agência Lusa, confessou ter sido "emocionante" a forma como o veterano realizador foi "acarinhado pela crítica e pelo público", pelas muitas pessoas que o aguardavam na rua, terminada a projecção.
Assinalou, a propósito, que o próprio presidente do parlamento italiano fez questão de assistir à sessão. Um momento "comovente", referiu.
Num comentário mais desenvolvido sobre o filme, que qualificou de "belíssimo", a ministra descreveu-o como "a rememoração, por dois velhos (Michel Piccoli e Bulle Ogier), da sua experiência de vida, designadamente naquilo que tem de conhecimento e desconhecimento", e destacou a cena do jantar, em seu entender "absolutamente extraordinária" e, por si só, uma "obra-prima".
Ao nível da luz, nos apontamentos mais surrealistas do filme, a "citação" de Buñuel - que Oliveira quis homenagear - é evidente, indicou, acentuando, porém, que esse facto em nada retira autenticidade e verdade à obra.
"Manoel de Oliveira - vincou - homenageia Luis Buñuel, mas mantendo o universo Manoel de Oliveira. O universo é totalmente o seu".
Num aparte, observou que "só na duração (o filme) não é Manoel de Oliveira". "O que não impede - assegurou - que o ritmo seja o habitual" nos seus filmes.
"Belle Toujours" tem pouco mais de uma hora de duração.
Relativamente à interpretação, Isabel Pires de Lima disse ter "gostado particularmente" de Michel Piccoli mas também de Ricardo Trepa, que faz o papel de "barman" e confidente do velho protagonizado pelo actor francês.