Biblioteca Nacional adquire espólio do escritor Alexandre Pinheiro Torres
Lisboa, 17 Abr (Lusa) - A Biblioteca Nacional (BN) adquiriu parte do espólio do escritor Alexandre Pinheiro Torres, nomeadamente correspondência trocada com escritores e editores, disse hoje à Lusa o seu director, Jorge Couto.
O acervo, que se encontrava no Reino Unido na posse dos herdeiros, é constituído por correspondência de autores portugueses, designadamente José Gomes Ferreira, Manuel Ferreira, Fernando Namora, José Cardoso Pires, Carlos de Oliveira, Álvaro Salema, Jacinto Prado Coelho, Vergílio Ferreira, Jorge de Sena, Eduardo Lourenço, Eugénio de Andrade, Alexandre O`Neill, Alves Redol, Urbano Tavares Rodrigues e Alfredo Margarido.
O espólio, que "tem reserva de consulta", inclui ainda cartas trocadas com editoras portuguesas, entre elas a Moraes Editores, Plátano Editora, Portugália Editora, Editorial Inova, Publicações Dom Quixote e Editorial Caminho, bem como fotografias, registos de eventos em que Pinheiro Torres participou com outros intelectuais portugueses.
Os manuscritos de Pinheiro Torres foram adquiridos, há vários anos, pela Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim, juntamente com a biblioteca do escritor.
Romancista, poeta da segunda geração neo-realista, ensaísta, ficcionista, crítico literário, tradutor, historiador de Literatura e professor, Pinheiro Torres fixou residência em Cardiff em 1966.
"Foi uma opção marcada pelo exílio a que se viu forçado na sequência da atribuição do Grande Prémio de Novelística, da Sociedade Portuguesa de Escritores, a "Luuanda", de Luandino Vieira, em 1965. Membro do júri, com Augusto Abelaira e Manuel da Fonseca, foi perseguido pelo Estado Novo e afastado do ensino", recordou Jorge Couto.
Alexandre Pinheiro Torres integra então o corpo docente da Universidade do País de Gales, onde se tornou catedrático de Literatura Portuguesa e Brasileira em 1976. Seis anos antes tinha já criado a primeira cadeira de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa em universidades inglesas.
Alexandre Pinheiro Torres estreou-se como poeta com o livro "Novo Génesis" (1950), tendo ainda publicado neste género literário "A Voz Recuperada" (1953), "O Ressentimento de um Ocidental" (1980), e "Trocar de Século" (1995), entre outros.
Organizou também várias antologias de poesia portuguesa e brasileira.
Estreou-se na ficção em 1977 com "A Nau de Quixibá", a que se seguiram "Contos" (1985), "Tubarões e Peixe Miúdo" (1986), "Espingardas e Música Clássica" (1987), "O Adeus às Virgens" (1992),"O Meu Anjo Catarina" (1998), e "Amor, Só Amor, Tudo Amor" (1999), entre outros títulos.
"Poesia: Programa para o Concreto" (1966), "Romance: o Mundo em Equação" (1967), "Vida e Obra de José Gomes Ferreira" (1975), "O Neo-Realismo Literário Português" (1977), "Os Romances de Alves Redol: ensaio de interpretação" (1979) e "Ensaios Escolhidos: Estudos Sobre as Literaturas de Língua Portuguesa" (1989-1990) são alguns dos ensaios que publicou.
NL.
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