Biografia de Canto e Castro editada segunda-feira
A biografia do actor Canto e Castro, falecido há um ano, "Vou contar-te uma história", de autoria de Maria Inês Almeida, é editada segunda-feira, no dia em que completaria 76 anos.
O livro será apresentado ao final da tarde no Teatro da Trindade, em Li sboa, pelo guionista Francisco Moita Flores e o escritor José Eduardo Agualusa.
"Este fim de tarde contará também com uma `encenação` do Carlos Avilez de forma, a que nos faça ter sempre presente o Canto e Castro", revelou à Lusa a autora.
Moita Flores assina o prefácio do livro, que conta com outras colaboraç ões, nomeadamente de Jorge Leitão Ramos que cedeu um "ficha biográfica" e os dep oimentos de familiares e colegas, designadamente Carlos Avilez, Carmen Dolores, Ruy de Carvalho e o escritor José Saramago.
O livro, disse Maria Inês Almeida à Lusa, "está dividido pelas letras d o alfabeto, de A a Z".
"Na letra A o actor fala da arte de representar, na letra B, da sua per sonagem de Bobo na peça `Rei Lear`, na C, fala da censura e crítica no teatro e por aí fora", explicou.
Quanto à narrativa, Maria Inês "articula" a sua escrita "com a oralidad e e depoimentos" do actor, falecido a 01 de Fevereiro de 2005, na sua casa em Al mada.
O livro, ilustrado com várias fotografias, foi uma ideia da investigado ra, depois de uma conversa com Moita Flores.
"Deixei-me contagiar pelo carinho que o Moita Flores tinha pelo Canto e Castro e achei que seria uma boa ideia escrever sobre ele que merecia, ainda vi vo, ter uma homenagem como esta", afirmou.
O actor, quando soube do projecto mostrou-se entusiasmado, recordou Mar ia Inês.
Para escrever "Vou contar-te uma história", editado pelas Publicações D om Quixote, a autora leu "diverso material, nomeadamente o arquivo do Diário de Notícias", bem como "trocou impressões" com vários actores.
Todavia, a investigadora reputa de "fundamental" as conversas que teve com Canto e Castro: "O mais importante foi mesmo as conversas que mantivemos e q ue infelizmente foram interrompidas pela sua morte".
"Este livro é o Canto e Castro. Não há nada ali que ele não tivesse dit o. Depois da sua morte não acrescentei mais nada que, por exemplo, tivesse ouvid o e não tivesse a certeza (ele não estava cá para confirmar), por isso no livro só está o que ouvi da sua própria boca, as suas histórias", frisou.
Para a autora, "o contacto com o próprio é a melhor pesquisa que podemo s ter".
Vários actores e realizadores de cinema salientaram por ocasião da sua morte "o actor raro e excepcional" que foi Henrique Canto e Castro.
O actor estreou-se, ainda aluno do Conservatório Nacional, nos Comedian tes de Lisboa, em 1946, onde se manteve até à sua extinção.
Em 1947 obteve o primeiro prémio do Conservatório (Prémio Eduardo Brazã o).
Trabalhou com Laura Alves e Assis Pacheco em duas temporadas teatrais n o Teatro Apolo, em Lisboa.
Entrou para o elenco do Teatro D. Maria II, onde, em 1964 venceu o Prém io de Melhor Actor.
Além de Laura Alves, com quem voltou a trabalhar no Teatro Monumental, contracenou, entre outros, com Paulo Renato, Rui de Carvalho, Armando Cortês e A lina Vaz.
Realizou várias digressões às ex-colónias portuguesas.
Canto e Castro nas décadas de 1970, 1980 e 1990 fez parte de várias com panhias, tendo voltado a conquistar o Prémio da Crítica pelo seu desempenho em " O tempo e o quarto", e ainda o de Melhor Actor pelo desempenho em "A excepção e a regra" de Berthold Brecht no Teatro de Almada.
Desenvolveu também a sua faceta de actor no cinema onde participou em 4 8 películas, televisão e na dobragem de desenhos animados.
Entre outros, Canto e Castro deu voz ao gafanhoto da série "Abelha Maia ".
O teatro radiofónico foi outra área que experimentou.
Em 2004, sob a direcção de Filipe La Feria, voltou aos palcos, no Teatr o Politeama, para encarnar a personagem do Senador Hewdges em "Rainha do ferro-v elho".
Se o teatro é a arte do efémero, Maria Inês Almeida pretende, através d este livro, "eternizar a memória do Canto e Castro, o seu caminho, os seus gosto s, a sua vida, os seus trabalhos, a sua humildade, a sua voz".
A biógrafa define desta forma o actor: "A vida quer-se sem cortinas e f oi sem elas que o actor sempre tentou viver. Transparente no olhar, simples, esp ontâneo nas respostas, esclarecido de ideias e emblemático, assim era Canto e Ca stro. Detentor de um sentido de humor peculiar que se misturava com uma boa gargalhada. Levava sempre o timbre da sua voz comigo para casa. Nem o trânsito, o bu lício ou a informação com que somos diariamente bombardeados o conseguiam atenua r".