Boxe e fragilidade de "Nocaute" ganham chamada de circo da Feira e Paredes de Coura
O universo de boxe e sentido de fragilidade do projeto "Nocaute", de Inês Pinho e Giovanni Concato, venceu hoje a chamada aberta de circo contemporâneo lançada em abril pelas câmaras municipais de Santa Maria da Feira e Paredes de Coura.
Segundo revela hoje a autarquia do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, o espetáculo de duas personagens com manipulação de objetos, equilibrismo e malabarismo foi selecionado entre nove candidaturas e convenceu o júri "por unanimidade" -- com base numa pontuação que privilegiou a originalidade e criatividade dos conteúdos propostos, a pertinência dos respetivos temas para os desafios da sociedade atual, e o contributo do projeto para a diversidade e qualidade da oferta artística disponível em território nacional.
A decisão, esta tarde aprovada em reunião de Câmara na Feira, confere ao projeto uma bolsa de criação no valor de 6.000 euros, que, repartida com o município de Paredes de Coura, se destina a apoiar os custos inerentes ao processo artístico, entre os quais desenvolvimento e produção, transportes, viagens e alimentação durante os períodos de residência.
Essas estadias para desenvolvimento artístico vão decorrer nos dois municípios que promovem a chamada aberta: a primeira residência será na Feira, no período de 20 a 31 de julho, e a segunda em Paredes de Coura, de 10 a 20 de setembro.
Quanto à estreia do espetáculo, está anunciada para 13 de novembro no Centro Cultural de Paredes de Coura e repete-se um dia depois na Feira, no Museu de Santa Maria de Lamas -- sendo que ambas as exibições se enquadram na "Noite do Circo", iniciativa internacional que, uma vez por ano, num mesmo fim-de-semana, leva mais de 430 propostas circenses a 23 territórios de todo o mundo.
Com conceito e direção artística da malabarista Inês Pinho, "Nocaute" terá interpretação por essa artista e também pelo equilibrista Giovanni Concato, que, num mesmo cenário evocativo das provas de boxe, recorrem a aproximações e distâncias para tentar revelar "a delicadeza das relações humanas".
"Pensado para uma apresentação em proximidade com o público, o espetáculo convida-nos a refletir sobre a vulnerabilidade, a resistência e a importância do cuidado num mundo em constante transformação", diz a respetiva sinopse.
Adereços de treino pugilístico e elementos domésticos comuns funcionarão assim como "motor físico do trabalho", aliando-se a corpo e palavra para construir um vocabulário "onde o circo se transforma em expressão sensível".
Formada pelo Chapitô e pelo Instituto Nacional de Artes do Circo (INAC), e atualmente a receber formação superior também na escola francesa Ésacto-Lido, Inês Pinho tem trabalhado entre o malabarismo e o movimento, descrevendo-se como "uma narradora visual" cujos projetos de autoria própria "habitam zonas de ambiguidade e escuta".
Já o italiano Giovanni Concato, também formado pelo INAC e com estudos subsequentes com Florent Bergal, Kitt Johnsson e Rui Paixão, especializou-se em corda bamba, manipulação de objetos e dramaturgia física, desenvolvendo uma prática que cruza "equilíbrio, movimento e criação `in situ` para explorar relações entre corpo, objeto e espaço".