Cada casa a seu dono" explica arquitetura moderna aos mais novos
Lisboa, 02 mar (Lusa) - Frank Lloyd Wright, Le Corbusier e Álvaro Siza Vieira são alguns dos arquitetos retratados em "Mãos à obra: Cada casa a seu dono", um livro do francês Didier Cornille, que procura aproximar a arquitetura moderna dos leitores mais novos.
Editado em Portugal pela Orfeu Negro, o livro apresenta obras de 11 arquitetos que exemplificam diferentes correntes na arquitetura moderna internacional, uma disciplina que "parece complicada, mas é absolutamente fascinante", lê-se na introdução.
"Este livro fala sobre casas que existem. As crianças têm os seus sonhos sobre casas. Quando leem o meu livro percebem que há muitas outras possibilidades. É sempre interessante ter informação nova que nos inspire para novas ideias", afirmou à agência Lusa Didier Cornille, que estará no dia 08 em Lisboa, a apresentar a obra.
Com textos curtos e ilustrações simples, "Mãos à obra: Cada casa a seu dono" reúne, de forma cronológica, obras arquitetónicas que, pela originalidade, se tornaram icónicas e identificam quem as criou. "Cada casa tem uma particularidade. Algumas parecem esculturas, como a Casa Shroder [de Gerrrit Rietveld], outras foram feitas em paisagens belas, como a Casa Farnsworth [de Mies Van der Rohe]", explicou.
O livro mostra a Villa Savoye, que Le Corbousier construiu perto de Paris entre 1928 e 1931, a Casa da Cascata, que Frank Lloyd Wright construiu nos Estados Unidos em cima de um curso de água, e a casa de papelão, que Shigeru Ban desenhou no Japão, para realojar vítimas do sismo de Kobe, em 1995.
Didier Cornille não se poupa no recurso a termos específicos da arquitetura e explica, por exemplo, o que é o sistema de construção em betão armado denominado Dom-inó, inventado por Le Corbousier, fala em fachadas, pilares, vigas e paredes de sustentação.
Para o autor, é importante falar desde cedo de arquitetura com os mais novos. Afinal, as crianças têm noção do seu corpo no espaço e habitualmente isso acontece em casa, explica. "Esse é o ponto de partida da arquitetura".
"Mãos à obra: Cada casa a seu dono" conta, na edição portuguesa, com o arquiteto Álvaro Siza Vieira, a propósito da Casa Beires, construída nos anos 1970, na Póvoa de Varzim.
"Encomendada pela família Beires, é um simples cubo colorido de betão, no centro de um lote de terreno. Mas parece que caiu uma bomba no meio da casa, e vê-se uma grande fenda na fachada cheia de janelas. Hoje, uma vegetação luxuriante invade o edifício", lê-se no livro.
Sobre Siza Vieira, Didier Cornille desenhou também para o livro a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, o Centro Galego de Arte Contemporânea em Santiago de Compostela e o Pavilhão de Portugal, em Lisboa.
A propósito de Siza Vieira, o designer francês diz ter sido uma escolha natural: "Para mim é ao mesmo tempo um arquiteto moderno e pós-moderno, com contributos importantes para a arquitetura internacional", disse à agência Lusa.
Depois de "Mãos à obra: Cada casa a seu dono", Didier Cornille publicou mais dois livros para crianças e jovens que falam de arquitetura: "Tous les gratte-ciel sont dans la nature", sobre arranha-céus, e "Touts le ponts sons dans la nature", sobre pontes.
Nascido em Lille, França, em 1951, Didier Cornille é formado em Design e dedica-se há dez anos a escrever e ilustrar para crianças.
"Mãos à Obra: Cada casa a seu dono" valeu-lhe uma menção honrosa nos prémios da Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha, em Itália.
Didier Cornille apresentará o livro no dia 08, no Espaço MAPA, em Lisboa, a partir das 16:00.