Câmara de Paredes de Coura defende transformação da Casa Grande de Romarigães em centro de estudos sobre o escritor
Viana do Castelo, 07 Dez (Lusa) - O presidente da Câmara de Paredes de Coura defendeu hoje a transformação da Casa Grande de Romarigães, que inspirou a obra homónima de Aquilino Ribeiro, num centro de estudos sobre a vida e obra daquele escritor.
"A Câmara gostaria que aquela casa, um autêntico `ex-libris` do concelho, recuperasse a sua traça original, para ficar tal e qual Aquilino a retrata na sua obra, e fosse convertida numa espécie de centro de estudos, onde pudesse ser apreciado e consultado todo o espólio do escritor", disse, à Lusa, o autarca de Paredes de Coura.
Para Pereira Júnior, "era muito importante" que a casa recuperasse das "adulterações arquitectónicas" que sofreu ao longo do tempo, nomeadamente com a reconstrução do antigo escadório e a ligação dos três edifícios existentes, para que quem a visita "não saia defraudadas e tristes".
"As pessoas que leram a obra vão lá à espera de ver uma coisa e o que lhes aparece é outra coisa completamente diferente", referiu.
Pereira Júnior sublinhou, no entanto, que a recuperação da Casa Grande de Romarigães só será possível com recurso a financiamento comunitário, uma vez que nem o actual proprietário - Aquilino Ribeiro Machado, filho do escritor - nem a câmara dispõem do dinheiro necessário para a obra.
"O proprietário já disse que vê com bons olhos a transformação da casa num espaço cultural ligado à vida e obra do pai e a sua abertura ao público em geral, pelo que este é um assunto que não podemos, não devemos, nem iremos deixar de equacionar", acrescentou.
A Câmara de Paredes de Coura promove este fim-de-semana uma homenagem a Aquilino Ribeiro, precisamente para comemorar os 50 anos da publicação do romance "A Casa Grande de Romarigães".
Do programa, e além de um encontro de leitores, exposições sobre a vida e obra de Aquilino, edição de um álbum sobre as casas senhoriais do concelho e um concerto por Pedro Caldeira Cabral, consta também uma visita à Casa Grande Romarigães, guiada por Aquilino Ribeiro Machado.
A "Casa Grande", onde Aquilino viveu e que inspirou um dos principais romances do escritor, consiste numa quinta com várias casas e uma capela cercadas de 70 hectares de terreno, grande parte área florestal.
Desse território, 18 hectares estão transformados num viveiro de plantas ornamentais, pela mão de Ladislau Reis da Silva, um engenheiro técnico agrário que há duas décadas arrendou aquele espaço.
Naquele "habitat", há desde árvores de fruto "que não frutificam para serem usadas como ornamento em espaços urbanos" até carvalhos, azinheiras, sobreiros, tuias, oliveiras, pinheiros mansos e prunus lusitanica.
Há também a gincobiloba, uma planta rara que, segundo Ladislau da Silva, "era a única que resistia aos efeitos da bomba de Hiroshima".
Para Ladislau da Silva, o melhor destino a dar àquele território era transformá-lo num jardim temático, inspirado na "Fábula da Raposa", escrita por Aquilino Ribeiro, onde as pessoas pudessem passear à vontade.
VCP.