Cultura
Carminho apresenta álbum "Alma" em concerto
Carminho tem lotação esgotada para os dois concertos deste fim-de-semana em Sintra. Em palco a fadista vai apresentar o seu segundo álbum.
Carmo Rebelo de Andrade ficou Carminho desde o primeiro álbum. Diz dever tudo ao Fado. O seu nome passou a ser pronunciado em Espanha após o êxito de "Perdonáme", um dueto com Pablo Alborán que chegou ao primeiro lugar nas tabelas de música do país vizinho.
Segunda-feira, o disco "Alma" chega ao público luso, espanhol, filandês e sueco. "Alma" é como um filho que nasce da parceria com o guitarrista Diogo Clemente e tem temas escolhidos a dedo. A fadista gosta de ler poesia e até assina um tema. Admira os brasileiros Chico Buarque, Vinicius, o português Vasco Graça Moura, Amália. Todos eles estão lá.
O encontro com a fadista ficou marcado para um espaço de moda do Bairro Alto. É do Estilista Alexander Protic; com quem faz as últimas provas para o vestido da noite desse concerto de estreia esgotado.
A estreia de "Alma " aconteceu em Sintra no Olga Cadaval .
Vestes criações do estilista Alexander Protic e a capa do CD exibe uma Carminho com aspeto mais rockeiro que fadista.
Não tenho pretensões de mudar o Fado. Gosto de Fado como ele é. Só porque tenho esta atitude mais descontraída não quero dizer que pretendo mudá-lo. É muito maior do que eu e há-de sempre continuar.
Alterar-se-á por ele. É o tempo que dirá que mudanças ele vai ter com estes fadistas novos.
É natural que pequeninas coisas surgam porque eu não vivi as experiências da minha mãe (a fadista Teresa Siqueira ) nem de fadistas de há 50 anos atrás . Essa diferença pode fazer com que o Fado caminhe no tempo.
O fado fez-te mulher?Sim, sem dúvida.
De repente lançei o primeiro disco com toda aquela espontaneidade, inocência e ignorância daquilo que seria pô-lo em prática e dá-lo da melhor forma às pessoas.
E vi-me, também de repente, a ter de interpretar aqueles temas muitas vezes e a ter de pensar naqueles temas muitas vezes e pensar no que eu sou.
Conheci muita gente, públicos diferentes . Tive muitas experiências novas, tive de passar por vitórias e frustrações.
Ter de gerir tudo isso faz-nos desabrochar .
A perda da inocência aparentemente é uma coisa negativa mas tento usar a experiência a meu favor.
Entregando-me com mais profundidade a cada tema em cima do palco.
Há fados que, por exemplo, entendo que não consigo ainda cantar.
Porque há muito mais informação e emoção do que aquela que eu consigo abraçar. Sinto que tenho de esperar para interpretá-lo.
E ao mesmo tempo, temas que eu já cantava aos 18, 20 anos começam a aprofundar-se em mim e passarem a fazer mais sentido. Cada vez são mais parte de mim.
O álbum vai ser lançado no estrangeiro. Que significado tal tem para ti?
É uma vitória, uma sorte, tenho de agradecer a toda a equipa, enorme, que trabalha comigo, responsável como eu, por tudo de bom que me está a acontecer.
É magia poder levar o meu disco a outros países.
Este álbum é a "alma" de Carminho?Mais do que as pessoas perceberem as palavras e a estrutura do fado, o importante é sentir e muitos fadistas falam disso.
Talvez por isso este disco se chame Alma.
Porque o fado é uma música para a alma que faz com que as almas comuniquem.
É uma linguagem que é aparte daquilo que é a linguagem dos homens.
Tem a ver com uma energia que se sente e que muitas vezes os fadistas expressam como: "acontecer o fado".
E acontece quando as pessoas estão disponíveis para cantar e para ouvir e isso não tem a ver com a língua.