Casa da Arquitetura apresenta exposição especial do urbanista de Brasília Lucio Costa

Casa da Arquitetura apresenta exposição especial do urbanista de Brasília Lucio Costa

A exposição "Lucio Costa Arquivo" é uma verdadeira viagem ao mundo íntimo, familiar e laboral do urbanista brasileiro Lucio Costa, autor do plano piloto de Brasília, e que a Casa da Arquitetura (Porto) inaugura no sábado com milhares de documentos originais.

Lusa /
Casa da Arquitetura

A primeira peça é uma maquete de um trabalho de Lúcio Costa com Oscar Niemeyer, mas esta "abertura é um `statement`, porque nesta exposição não vai haver maquetes", avisa Ana Vaz Milheiro, curadora da "Lucio Costa Arquivo", no início da visita à imprensa.

"Isto não é uma exposição tradicional de arquitetura. Não é uma exposição no sentido disciplinar que normalmente as pessoas assistem que tem os desenhos, tem os projetos, tem as fotografias dos projetos, tem as maquetas. Acho que esta exposição vai trazer um público diferente", observa Ana Vaz Milheiro.

A exposição vai revelar uma dimensão familiar do Lucio Costa, onde se podem descobrir fotografias com amigos e da relação dele com Portugal ou cartas trocadas com a filha e o arquiteto Le Corbusier.

Mas "Lucio Costa Arquivo" vai também revelar uma dimensão do arquiteto urbanista enquanto pensador sobre arquitetura e as suas preocupações do património ou mesma da Guerra Fria.

A exposição está dividida em seis núcleos distribuídos por seis salas distintas. Ao percorrer a exposição, o visitante descobre 69 telas suspensas em azul-cobalto com fotografias do Lucio Costa, algumas são sobre as suas visitas a Portugal.

É uma espécie de "foto biografia", explica Ana Vaz Milheiro, observando que o circuito pela mostra é livre e revela uma cronologia da vida do arquiteto.

Pode observar-se, por exemplo, a imagem de uma reunião em Paris, em 1952, do Grupo dos Cinco, com Lucio Costa acompanhado de Walter Gropius (um dos principais nomes da arquitetura do século XX e fundador da Bauhaus), Le Corbusier (arquiteto e escritor suíço-francês considerado pioneiro da arquitetura moderna), Ernesto Rigere e Sven Markelius (arquiteto modernista sueco).

É também neste núcleo expositivo que se vai poder observar uma imagem sobre a visita de Lucio Costa ao Porto em março de 1961, ou a imagem do concurso para o plano piloto da Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil), a futura Brasília, 1957.

Ao longo dos seis núcleos expositivos há 42 mesas-vitrine, com 800 documentos originais, 52 reproduções, vídeos de 27 entrevistados, seis filmes dos quais quatro são originais da Casa da Arquitetura, dez horas de gravações entre Portugal e Brasil, dois livros e uma intervenção artística.

"Lúcio Costa era muito mais do que um arquiteto, era um pensador, era um vanguardista, que na altura tinha relações com o que se estava a passar no mundo, que se relacionava com os escritores. Foi alguém que cuidou do património", disse Nuno Sampaio, diretor executivo da casa da Arquitetura, durante a visita de imprensa.

Através da história oral o visitante tem acesso a testemunhos reais e emocionados de habitantes das `superquadras` económicas que Lucio Costa desenhou para as classes mais pobres no Brasil.

Uma testemunha declara para a câmara e diz para o arquiteto: "Deu certo" e emociona-se dizendo que a filha de 16 anos já nasceu no bairro de Lúcio Costa.

"Cada documento conta uma história", conclui Ana Vaz Milheiro, referindo que alguns documentos da exposição revelam trabalhos escolares quando Lucio era adolescente ou cartas dirigidas à mãe a falar da viagem à Europa em 1926-1927. colaborações com Charlin Chaplin, assim como a primeira carta que ele envia a Le Corbusier.

Num outro núcleo expositivo pode ouvir-se a voz do próprio Lúcio Costa durante cinco minutos que fala sobre a rodoviária e a torre de Tv (televisão), que construiu em Brasília.

Na quinta sala expositiva descobrem-se mapas e projetos em plantas, bem como revistas internacionais cujas capas são dedicadas ao projeto mais emblemático de Lucio Costa. Como por exemplo na revista O Cruzeiro onde se lê: "O futuro já tem capital: Brasília", com uma reportagem completa sobre a inauguração de Brasília.

A exposição "Lucio Costa Arquivo" é inaugurada a 18 de abril com um programa de dois dias com atividades gratuitas, e vai ficar patente ao público até 13 de setembro.

"Lucio Costa Arquivo", exposição que nasce do acervo pessoal do urbanista que foi entregue pela família à Casa da Arquitetura, em 2021, está integrada nas comemorações dos 200 anos de relações diplomáticas entre Portugal e o Brasil.

Tópicos
PUB