Casa da Música homenageia Guilhermina Suggia com festivel de seis concertos dedicados ao violoncelo
Porto, 15 Fev (Lusa) - A Casa da Música (CdM) vai homenagear, no fim de semana de 22 a 24, a mais célebre violoncelista portuguesa de sempre, Guilhermina Suggia, com o Festival Suggia, anunciou hoje a CdM.
O festival apresenta seis concertos com algumas das mais belas obras escritas para violoncelo, desde o barroco à actualidade.
Partindo do legado artístico e pedagógico da violoncelista e da sua forte ligação ao Porto, o Festival Suggia promove também um itinerário ambulante de concertos pela cidade, um projecto editorial sobre os múltiplos locais que, desde sempre acolheram a música, e um livro de memórias de Madalena Sá e Costa, discípula de Suggia.
O festival inicia-se sexta-feira, dia 22, com a Orquestra Barroca da Casa da Música, dirigida por Harry Christophers, com o violoncelista Filipe Quaresma e a soprano Elin Manahan Thomas.
Harry Christophers, mundialmente conhecido por ter fundado o agrupamento vocal e instrumental The Sixteen, dirigiu, em 2007 pela primeira vez, a Orquestra Barroca Casa da Música num concerto com a Paixão Segundo São João, de Bach.
Agora, dirige a formação num concerto que conta com uma das mais aclamadas vozes do repertório barroco, a soprano Elin Manahan Thomas.
No programa estão obras de Henry Purcell (Danças e Ária de The Fairy Queen, Chaconne em Sol menor e Lamento de Dido de "Dido e Eneas") e Francesco Geminiani (Concerto Grosso nr. 12 em Dó menor (La Folia, segundo Corelli).
Na segunda parte está previsto o Concerto para Violoncelo, Wq. 172 (H439) em Lá maior, de Carl Philip Emmanuel Bach (filho de Johan Sebastian) e Nulla in mundo pax sincera RV 630, de Antonio Vivaldi.
No dia seguinte apresenta-se pela primeira vez em público, na Sala 2 da CdM, às 12:00, o Quarteto Remix, com Angel Gimeno e José Pereira (violino), Trevor McTait (viola) e Oliver Parr (violoncelo).
O concerto de lançamento desta nova formação, saída das fileiras dos agrupamentos maiores da Casa da Música, inicia-se com a obra Quarteto de Arcos, de Cláudio Carneiro, o mais emblemático compositor portuense do século XX, a que se segue o Quarteto de Cordas nr.2, de Benjamin Britten.
A Orquestra Nacional do Porto (ONP), dirigida por John Störgards, apresenta-se com o violoncelista norueguês Truls Mørk, às 18h00, na Sala Suggia, num concerto que também está integrado no Focus Nórdico, tema da CdM para 2008.
O programa deste concerto inclui obras do dinamarquês Carl Nielsen (A Fantasy Trip to the Faroe Islands), do islandês Haflidi Hallgrímsson (Concerto para Violoncelo e Orquestra op. 30) e do sueco Magnus Lindberg (Aura).
Às 21:00, na Sala 2, realiza-se um concerto que reúne artistas profissionais, estudantes de música e residentes das zonas ribeirinhas de Porto e Gaia, sobretudo crianças e jovens, com a participação do violoncelista Ernst Reijseger.
Com esta actividade comunitária, que prossegue nos próximos meses, a Casa da Música homenageia Manoel de Oliveira pelo seu 100º aniversário.
No dia 24, domingo, o Conjunto Ibérico, um octeto de violoncelos, apresenta-se às 12:00, na Sala Suggia, com um programa que inclui obras de Manuel de Falla (El Amor Brujo - instrumental), David Popper (Requiem), Heitor Villa-Lobos (Bachianas Brasileiras nr.1), Samuel Barber (Adágio) e Cristobal Halffter (Fandango).
Fundado pelo conceituado violoncelista e maestro espanhol Elias Arizcuren, em 1989, o Conjunto Ibérico é um ensemble especialmente dedicado ao repertório original para oito violoncelos.
Várias dezenas de obras dos mais destacados compositores da actualidade foram escritas especificamente para a formação.
O Festival Suggia inclui um concerto itinerante pelos violoncelistas José Augusto Pereira de Sousa e Oliver Parr e o pianista Jonathan Ayerst a apresentar-se em três salas históricas da cidade
A viagem inicia-se às 15:00, na Casa da Música, num autocarro turístico, e será acompanhada de um guia.
O primeiro local a visitar é a Casa da Juventude Musical Portuguesa e o Círculo de Cultura Musical, na rua da Restauração, onde estão em exposição as célebres portas autografadas por ilustres figuras do meio musical internacional, compositores e intérpretes, entre os quais Guilhermina Suggia.
Numa das salas do edifício tem lugar um breve recital por Oliver Parr, violoncelista do Remix Ensemble.
No Hotel Paris, à Rua da Fábrica, edifício que foi sede da Sociedade Filarmónica Portuense em meados do século XIX, José Augusto Pereira de Sousa toca a 1ª Suite de Bach no violoncelo Montagnana que pertenceu a Guilhermina Suggia.
Após um chá servido pelo hotel a viagem prossegue em direcção ao Conservatório de Música do Porto onde se faz uma breve visita à sala que homenageia Guilhermina Suggia, lembrando o seu legado pedagógico e artístico na instituição.
Ali, o pianista Jonathan Ayerst interpretará obras de Pedro de Araújo e Alexander Scriabin.
O autocarro regressa à Casa da Música onde, às 19:00, tem lugar a apresentação do livro "Memórias e Recordações" da violoncelista Madalena Sá e Costa, discípula de Guilhermina Suggia.
Esta constitui a primeira de uma série de iniciativas que a Fundação Casa da Música pretende levar a cabo com o intuito de recuperar o passado musical da cidade do Porto.
O grande auditório da Casa da Música (até então designado como Sala 1) tem o nome de Guilhermina Suggia desde 17 de Setembro de 2006, em homenagem a uma das maiores violoncelistas de sempre.
Guilhermina Augusta Xavier de Medim Suggia nasceu em 27 de Junho de 1885, no Porto, onde viria a morrer a 30 de Julho de 1950, tendo desde muito pequena revelado marcada tendência para a música.
Iniciou-se no estudo do violoncelo com seu pai, Augusto Suggia, e em 1901 obteve uma bolsa de estudo, concedida pela Rainha D.Amélia, para ingressar no Conservatório de Leipzig, a mais conceituada escola de música na viragem do séc. XIX/XX, para estudar com Julius Klengel (1859-1933).
Concluídos os estudos, tomou a decisão, corajosa para a época, de ser violoncelista profissional, assumindo-se como a primeira mulher a fazer carreira a solo e a atingir enorme êxito mundial.
A sua carreira centrou-se em Londres, onde trabalhou com o catalão Pablo Casals, considerado o maior violoncelista de sempre, com quem viveu.
PF.
Lusa/Fim