Casa das Artes de Famalicão festeja 15 anos convicta de que aposta foi "ganha"
Vila Nova de Famalicão, Braga, 21 dez (Lusa) - A Casa das Artes de Famalicão recebeu ao longo dos seus 15 anos de existência um milhão de espetadores, referiram hoje os responsáveis pelo equipamento, destacando que a aposta "arrojada" aquando da inauguração foi "completamente ganha".
"Formação de públicos" - é nesta expressão que mais convergem quer o presidente da câmara de Vila Nova de Famalicão, Paulo Cunha, quer o programador, Álvaro Santos, ao fazerem à agência Lusa um balanço dos 15 anos de Casa das Artes.
"Atingimos um milhão de espetadores e isso resulta não só de quem vem de fora e se sente estimulado para o espetáculo mas também porque formamos público a nível concelhio desde a infância até aos seniores. Estamos a criar o bom hábito das pessoas irem à Casa das Artes", referiu Paulo Cunha.
A ideia é confirmada por Álvaro Santos que descreve uma Casa das Artes que "se distingue pelo leque variado de públicos", ao qual é dado "um conjunto de propostas", deixando-o "escolher de forma livre e muito espontânea", indo, aliás, ao encontro da forma como o programador vê a cultura: "A cultura tem uma componente fundamental que é a de liberdade, de ação crítica", apontou.
Neste equipamento de Famalicão, distrito de Braga, realizaram-se já, estimam os responsáveis, entre 2.000 a 3.000 espetáculos de dança, teatro, música, entre outros registos, ao longo de dezena e meia de anos.
Álvaro Santos destaca "em primeiríssimo lugar e como fundamenta" a presença das crianças que visitam a Casa, mas não esquece conquistas próprias e vindas ao concelho de nomes mundiais.
Em 2009 o britânico John Cale, músico da antiga banda de vanguarda The Velvet Underground, encheu a sala. Antes, em 2008, o cantor e compositor canadense Rufus Wainwright, e a norte-americana Rickie Lee Jones, tinham projetado Vila Nova de Famalicão.
"Os espetáculos foram muitos e muito diversificados. Aposta no ecletismo marca a Casa das Artes. Existe espaço para os grandes espetáculos, mas também trabalho para nichos e para a promoção da chamada cultura erudita. Giramos à volta deste triângulo que é um círculo que funciona quase como uma espiral, uma espiral crescente. Está a correr muito bem", resumiu Álvaro Santos.
"Há 15 anos, quando não existia nenhum espaço do género a Norte do Porto, foi construído o edifício. Mas construir um edifício não significa criar uma sala de espetáculos. É preciso dinâmica e programação e 15 anos depois parece-me que a Casa está consolidada, tem uma dimensão que até já ultrapassa os limites territoriais do país, abrangendo uma fatia importante a Norte, nomeadamente da Galiza", completa Paulo Cunha.
E ambos destacam o trabalho com a comunidade local. O programador dá como exemplo o programa "Casa das Artes e Envolvente" que, descreveu, "leva a cultura às freguesias, dando a possibilidade às pessoas de terem contacto com novas linguagens".
Há dez anos neste equipamento cultural Álvaro Santos fala em "exploração de todas as áreas artísticas" de forma a que "o espaço seja cada vez mais plural" não só nos espetáculos e mostras, mas também do público que seduz.
Paulo Cunha, por sua vez, não desvaloriza a integração do equipamento e do concelho no Quadrilátero Urbano - rede que junta Famalicão, Guimarães, Barcelos e Braga - mas não tem dúvidas sobre a reciprocidade desta relação.
"Se é verdade que o Quadrilátero ajuda a Casa das Artes, não é menos verdade que o Quadrilátero ajuda outras salas de espetáculos. Há uma relação sadia entre as diferentes salas dos diferentes concelhos, há um conceito de programação articulado ou até em rede e muitas iniciativas, nomeadamente produções, que só seriam exequíveis se forem adquiridas por mais de uma sala", analisou.
Foi o caso de um outro projeto destacado por Álvaro Santos, a Ópera "Don Giovanni", de Mozart, baseada na lenda de Don Juan, que colocou 85 artistas nacionais em palco e percorreu em coprodução, entre 2010 e 2011, as salas dos vários concelhos do Minho.
A Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão inicia o seu 16.º aniversário em 2017 com um Ciclo de Concertos de Ano Novo que terá entrada livre.