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Cecília Bartoli apresenta "Opera proibita" na Gulbenkian, em Lisboa

Cecília Bartoli apresenta "Opera proibita" na Gulbenkian, em Lisboa

A meio-soprano Cecília Bartoli apresenta sábado, no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, "Opera Proibita" um projecto seu onde descobriu uma Roma barroca sem ópera, como explicou à agência Lusa.

Agência LUSA /

"A escolha destas composições é um projecto meu, pois achei a música extraordinária, numa Roma muito especial, de um período de interdições em pleno Barroco", disse Cecília Bartoli à Lusa.

A "descoberta" deu-se quando preparava um disco de Handel, tendo decidido começar a investigar a primeira década do século XVIII, período em que estas composições foram escritas.

"Que música se fazia naquele tempo em que não podia haver ópera, para onde músicos, cantores, compositores direccionam as suas energias e criatividade, foi esta a interrogação que me levou à `Opera Proibita`", disse Cecília Bartoli.

De 1701 até 1710 por diferentes razões, incluindo dois jubileus, a Santa Sé proibiu as representações públicas de ópera, mas a música continuou a ser composta e ouvida nos salões de príncipes e cardeais na forma de "oratórias", um melodrama sacro que não colidia com as proibições da Igreja.

A Igreja proíbe também as mulheres de subir ao palco tornando- o espaço privilegiado dos "castrati".

Desse período, Bartoli escolheu "o muito jovem Handel que nessa altura, com 19 anos, está em Roma", Alessandro Scarlatti e António Caldera "que é um compositor excepcional e pouco conhecido".

"Há uma música profunda e rica, mas há também uma história a contar", assinalou.

Para Cecília Bartoli, cantora lírica nascida em Roma, cujos pais eram professores de música, imaginar a sua cidade natal "sem ópera, quase parece impossível".

Este foi um dos desafios que enfrentou: "imaginar aquele tempo que enquadrou a criatividade dos compositores".

Bartoli considera "essencial o contexto social e político da época para compreender o espírito de uma ópera ou de qualquer obra de arte, saber o que o compositor viveu", frisou à Lusa.

Outro desafio, foi em termos de técnica vocal, reconhecendo "a flexibilidade" da sua voz, "os `castrati` tinham registo mais vasto que ia de tom mais grave ao agudo, o que obriga a uma grande elasticidade da voz, como que fazendo um arco".

"Tecnicamente é complicado e exige muito, desde o controlo da respiração, da frase, a sustentação das frases mais longas, e há momentos em que a voz é verdadeiramente mais um instrumento da orquestra, havendo diálogos com os instrumentos, como o oboé, a flauta, clarinete ou o violoncelo, há um jogo", explicou.

O programa de sábado à noite inclui de Alessandro Scarlatti, "Qui resta... L`alta Roma", recitativo e ária de Carità, de San Filippo Neri, "Caldo sangue" ária de Ismael, de Sedecia, re di Gerusalemme, "Ahi! qual cordoglio... Doppio affetto" recitativo e ária de Ismael, de Sedecia, re di Gerusalemme, de Antonio Caldara "Vanne pentita a piangere", ária de Santa Eugenia, de Il Trionfo dell`Innocenza, "Sparga il senso lascivo veleno", ária de Flavia, de La Castità al Cimento e ainda a abertura, de Santa Francesca Romana.

Do "jovem" Georg Friedrich Handel a abertura, de "Il Trionfo del Tempo e del Disinganno", e ainda as árias de "Piacere" da mesma oratória, "Chiudi, chiudi ivaghi rai", "Lascia la spina, cogli la rosa", e "Come nembo che fugge col vento".

No Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, sábado à noite, a meio-soprano italiana é acompanhada pela Orquestra Barroca de Friburgo, sob a direcção de Petra Müllejans.

A actuação na capital portuguesa dá início a uma digressão ibérica que a levará ainda a seis palcos espanhóis, o Teatro Calderón, em Valladolid, Teatro Real, em Madrid, aos Palaus de la Musica, em Valência e Barcelona, e ainda ao Baluarte em Pamplona e ao Palácio Euskalduna em Bilbau.

O CD a "Opera Proibita" foi editado o ano passado.

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