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Cerca de 75% dos trabalhadores em artes performativas já sofreram assédio

Cerca de 75% dos trabalhadores em artes performativas já sofreram assédio

O projeto MUDA ouviu 611 profissionais ligadas ao mundo as artes e cerca de 75% dos inquiridos afirmou ter sofrido assédio moral. Mais de 49% admitiu ter sofrido assédio sexual.

Andreia Martins - RTP /
Foto: Pedro A. Pina - RTP

Os dados foram recolhidos entre julho e dezembro de 2025 e foram revelados esta segunda-feira na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. 

"Os resultados evidenciaram que o assédio laboral é uma realidade amplamente disseminada no setor, manifestando-se tanto em comportamentos de humilhação, intimidação e desvalorização profissional como em comentários, insinuações e propostas de natureza sexual", lê-se no documento citado pela agência Lusa. 

Nos casos de assédio sexual, 41% dos inquiridos atribuiu a autoria a "pessoas em posição de chefia ou direção artística". Outros 15,7% identificaram professores ou formadores como os agressores.

Tanto nos casos de assédio moral ou sexual, mais de 80 por cento dos inquiridos diz que nunca apresentou queixa ou denúncia por falta de provas, testemunhas ou pelo “medo de não serem acreditadas”.


"A predominância de trabalhos independentes e vínculos instáveis aumenta não apenas a probabilidade de as pessoas serem assediadas, mas também a dificuldade em denunciar", concluem ainda os autores.

O diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues, ficou surpreendido com os resultados deste estudo sobre o universo artístico.

"Eu já sabia que o fenómeno existia, mas não sabia esta dimensão, mas é muito importante. (...) Agora há informação credível e informada. Antes havia perceção. A partir do momento que há [dados], exige-se alguma ação por parte do setor e das entidades que lidam com ele. É preciso tomar agora uma série de medidas", afirmou durante um debate, em Lisboa. 

Para o responsável, a “relação entre precariedade e possibilidade de assédio” deve ser transmitida à tutela e deve também gerar uma ação a nível político. 

Após este estudo, o projeto MUDA vai organizar um encontro entre os dias 7 e 9 de novembro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, para debater este tema e lançar um manual de boas práticas, assim como organizar uma ação de formação.
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