Cineasta Agnès Varda tem até setembro a maior retrospetiva em Portugal

Cineasta Agnès Varda tem até setembro a maior retrospetiva em Portugal

O cinema da realizadora francesa Agnès Varda, "uma artista com uma curiosidade sem igual", vai ser mostrado na "maior retrospetiva" em Portugal, a partir do dia 30, em Lisboa, e depois noutras cidades, revelou a exibidora Medeia Filmes.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

A retrospetiva vai prolongar-se até setembro com vinte longas-metragens e 15 filmes curtos, "entre os grandes títulos e várias pérolas reencontradas", entre ficção e documentário, todos em novas cópias digitais restauradas.

"Ao longo de seis décadas, com o seu olhar único, [Agnès Varda] criou obras de uma grande originalidade, reinventando o cinema e acabando por se tornar um ícone, cuja obra continua a influenciar novas gerações de cineastas e artistas", refere a Medeia Filmes em nota de imprensa.

O ciclo começa no cinema Nimas, em Lisboa, e estende-se, a partir de 01 de agosto, ao Cinema Trindade, no Porto, e, mais tarde ao Teatro Campo Alegre, também no Porto, ao Theatro Circo, em Braga, ao Cinema Charlot, em Setúbal, ao Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz e ao Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra.

Multipremiada ao longo de uma carreira iniciada em 1954 com "La Pointe-Courte", Agnès Varda nasceu em Bruxelas no dia 30 de maio de 1928, filha de pai grego e mãe francesa, mudando-se para Paris para estudar fotografia, segundo a biografia da France Culture.

Habitualmente classificada como a `avó` do movimento cinematográfico Nouvelle Vague, Varda destacou-se, poucos anos depois da sua estreia, com "Cléo de 5 à 7" ("Duas Horas na Vida de uma Mulher", no título português), estreado em 1962, sobre uma mulher que deambula por Paris enquanto aguarda o resultado de um importante exame médico.

Além deste filme, entre as obras mais conhecidas e premiadas da autora estão "A felicidade" (1964), "Sem Eira Nem Beira" (1985), "Os respigadores e a respigadora" (2000) ou "As praias de Agnès" (2008).

Fotógrafa, realizadora e artista visual, recebeu os mais importantes prémios de cinema, entre os quais o Leopardo de Honra do Festival de Locarno, a Palma de Ouro de Carreira do Festival de Cannes e o Óscar honorário.

Agnès Varda esteve várias vezes em Portugal, algumas das quais para falar de cinema e mostrar o seu trabalho. Teve duas retrospetivas acolhidas pela Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, em 1993 e 2009, ano em que inaugurou também duas instalações-vídeo na Capela da Casa de Serralves, no Porto.

Em 2016, foi distinguida pela Universidade Lusófona do Porto com um doutoramento `honoris causa` e foi-lhe dedicado um ciclo no Rivoli - Teatro Municipal.

Agnès Varda também visitou Portugal nos anos 1950, enquanto fotógrafa, tendo captado "uma paisagem desértica" que a fez sentir-se numa superfície lunar, como recordou em 2016. É dela a célebre fotografia de uma mulher jovem vestida de preto, a caminhar descalça numa rua na Póvoa de Varzim, junto a uma parede com um cartaz rasgado da atriz Sophia Loren.

Agnès Varda morreu na primavera de 2019, aos 90 anos, e com ela morreu também "uma forma de fazer cinema e um entendimento do cinema de que ela foi pioneira", como disse na altura à Lusa o diretor da Casa do Cinema Manoel de Oliveira, António Preto.

"É representativa dessa nova maneira de olhar para a possibilidade de filmar e para o mundo através da câmara. Era uma realizadora profundamente curiosa, profundamente inquieta e profundamente generosa. Os filmes traduzem todas as dimensões da sua pessoa, que se confunde com a obra", disse.

Em 2022, a Casa do Cinema Manoel de Oliveira, no Porto, acolheu a exposição "Agnès Varda: Luz e Sombra", que conjugou as várias vidas da autora, como fotógrafa, cineasta e artista plástica.

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