Cinemateca está interessada nos laboratórios da Tobis
Lisboa, 02 mar (Lusa) -- O tanque de revelação dos laboratórios da Tobis é uma das máquinas da antiga produtora cinematográfica em que a Cinemateca Portuguesa está interessada até porque representava a possibilidade de "uma fonte de receitas" para a Cinemateca.
A afirmação foi feita hoje à agência Lusa pela diretora da Cinemateca Portuguesa, Maria João Seixas, que admitiu que "gostaria que a Cinemateca ficasse com alguns equipamentos que eram do laboratório da Tobis".
"Não podemos dizer que temos interesse em adquirir o equipamento, até porque não temos dinheiro para isso, mas era uma grande oportunidade para a Cinemateca ficar com material do laboratório da Tobis", disse a diretora do Museu do Cinema, sublinhando que para tal também seria necessário ficarem com "meios humanos".
Maria João Seixas admitiu que "nos últimos meses, e com maior incidência nas três últimas semanas" têm seguido com interesse os desenvolvimentos em relação à Tobis, uma vez que a dissolução da empresa e o encerramento da Lightfilm -- a única empresa privada que revelava película em Portugal e que fechou - constituem a abertura de "uma janela de oportunidade para a Cinemateca".
"Até porque, apesar de a revelação de película ser dispendiosa, é importante existir para manter o acervo cinematográfico de um país", frisou.
A decisão não depende da Cinemateca, mas da tutela, sublinhou Maria João Seixas, acrescentando que nos últimos tempos se deslocaram à Tobis no sentido de fazer o inventário do material em que estão interessados.
"Além do inventário do material -- e também há material da LightFilm que nos interessa, temos de ver se cabe nas nossas instalações, se temos possibilidade de o transportar e se temos meios humanos para trabalharmos com eles porque é impossível à equipa do Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM) fazer mais do que já fazem", disse a responsável do Museu do Cinema.
Maria João Seixas aguarda assim que a tutela esteja sensível às pretensões da Cinemateca, uma vez que considera "bastante importante manter um laboratório de película em Portugal, que permite captar produções estrangeiras para Portugal".
Apesar de atualmente se filmar muito pouco em película -- já que predomina o formato digital -- a preservação em película continua a ser de extrema importância, já que "tanto quanto se sabe é o material mais durável no tempo", referiu Maria João Seixas.
Os 96,4 por cento que o Estado detinha no capital social da Tobis foram vendidos, a 23 de fevereiro, à Filmdrehsicht, uma empresa de capitais totalmente angolanos, que fica apenas com os ramos de negócio da pós-produção digital e do restauro.
Nas mãos do Estado português -- segundo disse à Lusa na altura da venda da Tobis o diretor do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) -- ficam o património imobiliário da empresa assim como o laboratório e o estúdio.
Com um passivo de cerca de oito milhões de euros, a Tobis foi vendida por um valor na ordem dos 50 por cento do valor do passivo. Um "bom negócio", segundo disse na altura o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, já que permitiu resolver um problema que se arrastava há quase dez anos.