Citemor acolhe residência "A Morte do Artista" de autor anónimo em fase terminal

Citemor acolhe residência "A Morte do Artista" de autor anónimo em fase terminal

O director do festival Citemor considerou hoje que o projecto "A Morte do Artista" - de um autor anónimo, apresentado como estando a viver as "últimas semanas de vida" - integra-se nos "territórios híbridos" do evento.

Agência LUSA /

"A nossa programação tem uma série de acontecimentos, de obras artístic as que não são habituais. São estes territórios híbridos que acabam por caracter izar as edições mais recentes do Citemor", afirmou Armando Valente à agência Lus a.

Após lhe ter sido comunicado que lhe "resta pouco tempo de vida", o art ista A. escolheu o festival de Montemor-o-Velho (Citemor) - que decorre até 12 d e Agosto - para criar o seu derradeiro projecto, tendo iniciado terça-feira, num local desconhecido, uma residência artística com "criativos e autores com quem colaborou ao longo da sua vida".

"O estado de saúde do autor é uma circunstância a respeitar. A discriçã o do projecto deve-se ao seu anonimato", referiu Armando Valente, adiantando que o final do trabalho se encontra em aberto e poderá ser apresentado para além do festival.

Entre os colaboradores do projecto "A Morte do Artista" identificados p ela organização do Citemor figuram os actores Dinarte Branco e Tiago Rodrigues e os argumentistas Nuno Costa Santos e Luís Filipe Borges, este também apresentad or do programa "A revolta dos pastéis de nata".

A escassa informação sobre a residência iniciada terça-feira, que foi t ransferida de Montemor-o-Velho para um local incerto devido à curiosidade que es tava a suscitar, está disponível na página do festival e no blogue do projecto ( www.amortedoartista.blogspot.com).

"Quero ser eu a escolher as caras para que vou olhar durante as minhas últimas semanas de vida. Este projecto parte apenas deste princípio: juntar pess oas. Juntá-las e ver o que acontece", escreve A. no blogue, que será "a única po nte entre o interior da casa onde se realiza a residência artística e o mundo ex terior".

Adianta que será "um "reality-show" dos afectos, da amizade, da morte".

"Daí resultará a minha última obra. Ainda não sei o que será", confessa o autor.

O projecto foi apresentado à direcção do Citemor por alguns dos colabor adores identificados, actuando em nome do artista protegido pelo anonimato.

"Fiquei tão interessado no projecto como os espectadores agora curiosos em ver o que vai acontecer", confessou Armando Valente.

De acordo com o responsável, "o que é normal nos territórios artísticos é muito relativo" e o facto de ser apresentada uma obra coordenada por um autor que desconhece "não é nova no mundo das artes".

"Quero que a minha câmara seja a única presente. A obra que resultar de ste projecto será tornada pública e responderá às dúvidas e controversas que exi stirem", promete o autor no seu blogue.

Segundo a organização do Citemor, "não há prazo definido para a apresen tação da obra, uma vez que o processo de trabalho termina apenas com a morte do próprio autor".

A 28ª edição do Citemor começou a 21 de Julho, prosseguindo quinta e se xta-feira com a estreia de "A Inesperada", obra de Susana Vidal, desenvolvida em residência e produzida pelo festival.

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