Colóquio internacional sobre modernismo reúne especialistas em Coimbra
Especialistas nacionais e estrangeiros discutem sexta-feira e sábado, em Coimbra, o modernismo como fenómeno criativo que tende a reflectir as exigências éticas de uma nova "consciência multicultural".
"O modernismo não é só a Europa do Norte e os Estados Unidos", declarou hoje à agência Lusa Maria Irene Ramalho, organizadora do colóquio sobre "modernismos", que decorre na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC).
A iniciativa, promovida pelo Núcleo de Estudos Culturais Comparados do Centro de Estudos Sociais (CES), visa "reflectir uma vez mais sobre esse conceito sempre esquivo que é o modernismo".
"A este reflexão presidem quatro perguntas fundamentais: o que é o modernismo? O que foi o modernismo? O que virá a ser o modernismo? Por quê modernismos?", refere uma nota dos organizadores.
A última pergunta traduz "uma preocupação ética, típica de uma era global de consciência multicultural", explicou Maria Irene Ramalho.
"Aquilo que inicialmente pareceu ter surgido, na primeira metade do século XX, como sendo um fenómeno artístico-literário ocidental - se não marcadamente anglo-americano -, razoavelmente limitado e definível, tem sido nos últimos tempos objecto de ponderação rigorosa e reconceptualização ampla e variada", acrescentou.
A professora catedrática da FLUC, especialista em literatura e cultura anglo-americanas, frisou que o modernismo tem também sido "sujeito a diferentes tipos de revisão", com os estudiosos a optarem pelo conceito "modernismos", que traduz aquela "reconceptualização ampla e variada", multicultural e à escala global.
A belga Vivian Liska e as norte-americanas Susan Friedman e Houston Baker são algumas das participantes no colóquio.
São ainda oradores os portugueses Helena Buescu, Gualter Cunha, Rosa Martelo, Isabel Gil, Maria José Canelo, Osvaldo Manuel Silvestre e Teresa Cid, além dos moderadores e organizadores, Maria Irene Ramalho, Isabel Caldeira e António Sousa Ribeiro.
Ana Luísa Saraiva, Catarina Martins, Inês Pinto Basto e Paula Mesquita, jovens investigadoras do Núcleo de Estudos Culturais Comparados do CES, intervêm também nos trabalhos, que começam sexta-feira às 9:30, encerrando sábado às 12:00, com uma última conferência, seguida de debate e apresentação das conclusões.