Comédia "A Paz" de Aristófanes estreia-se hoje no Teatro Romano em Lisboa
A comédia "A Paz", de Aristófanes (447-345 antes de Cristo), sob a direção da investigadora e encenadora Silvina Pereira, estreia-se hoje, às 21:00, nas ruínas do Teatro Romano de Lisboa.
"A Paz" é uma produção do Teatro Maizum, a celebrar 35 anos, que estará em cena no anfiteatro da rua de S. Mamede, até ao próximo dia 17.
Paralelamente, realiza-se um programa de conferências, que começa hoje, às 18:00, com a tradutora Maria de Fátima Sousa e Silva, que apresentará "A Paz de Aristófanes: um quadro de utópica felicidade", e Silvina Pereira, que falará sobre "Encenar Aristófanes, hoje".
As outras duas palestras, no dia 14 de julho, são de Lídia Fernandes, "O teatro romano de Lisboa/Olisipo", e de Mafalda Viana, "A ideia de Paz na cultura europeia".
O texto que hoje é levado à cena foi traduzido por Maria Fátima Silva, os figurinos são António de Oliveira Pinto, a sonoplastia, de João Graça, e o elenco, incluindo o coro, é composto por Augusto Portela, Bibi Piragibe, João Ferrador, José Simão, Leonor Alcácer, Marco Costa, Miguel Vasques, Íris Pereira, Silvina Pereira e Sofia Rodrigues.
A comédia do autor clássico grego subiu à cena pela primeira vez nas Festas Dionísias Urbanas de 421 antes de Cristo, em Atenas, no contexto político da Guerra do Peloponeso, quando atenienses e lacedemônios se preparavam para assinar um tratado de paz.
"Toda a peça é um canto de louvor em honra da paz, por cuja causa o poeta vinha pugnando desde os primórdios da sua carreira literária. De facto, apenas alguns dias depois deste festival de 421, é consumado um período de tréguas que ficou conhecido como paz de Nícias", afirma em comunicado o Maizum.
"Sensível a esta atmosfera otimista, que então se respirava em Atenas, Aristófanes traz à cena o ambiente próspero que a paz proporciona, em contraste com as amarguras recentes da guerra: fá-lo, porém, num tom completamente diferente daquele em que compusera comédias anteriores, subordinadas à mesma temática", realça a mesma fonte.
Segundo o Maizum, "em 2016 o teatro clássico regressa ao local que é seu por direito", o teatro romano de Lisboa.