Comissão científica inicia este ano estudo e recuperação ruínas Tróia
A Comissão Científica responsável pelo estudo e coordenação da recuperação das ruínas romanas de Tróia, que toma posse quinta-feira, deverá iniciar um plano de intervenção este ano, revelou hoje à agência Lusa fonte da entidade.
De acordo com Filomena Barata, directora Regional de Évora do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), e membro da comissão, a entidade deverá "elaborar um plano de trabalho faseado para que se desenvolvam acções já este ano".
A Estação Arqueológica de Tróia encontra-se encerrada há cerca de cinco anos devido ao estado de degradação do complexo, mas de acordo com a responsável "as visitas de estudantes universitários mantiveram-se".
Filomena Barata sublinhou que existem muitos estudos prévios, mas o protocolo de cooperação assinado em Junho último entre o IPPAR, o Instituo Português de Arqueologia (IPA) e a empresa Imoareia inclui a realização de outros estudos.
O protocolo prevê a valorização das ruínas romanas de Tróia nos próximos seis anos, devendo articular a actuação das entidades envolvidas e dar continuidade ao trabalho desenvolvido no âmbito de um protocolo anterior celebrado em 1999.
Questionada sobre se as ruínas deverão reabrir ao público daqui a seis anos, a responsável observou que se trata de uma "zona de difícil intervenção, com uma extensão de dois quilómetros, com graves problemas de erosão fluvial devido à proximidade do rio Sado", mas, dependendo do evoluir dos trabalhos "até poderá ser antes".
Comentou que as ruínas "são um património muito importante e único no país", classificadas como monumento nacional desde 1910.
Numa primeira fase, a comissão terá como prioridade a delimitação do sítio arqueológico e acções de conservação e manutenção do espaço, e numa segunda fase acções de valorização e investigação arqueológica.
A estação arqueológica de Tróia está situada na foz do rio Sado, numa zona rica em espécies piscícolas e muito próxima das antigas salinas, e é constituída por um dos mais interessantes complexos fabris de conserva de peixe do Império Romano.
Construída nos finais do século I a.C., manteve-se em plena actividade até meados do III d.C., época das invasões bárbaras, entrando depois em período de declínio que terá tido o seu epílogo no século V, período a que remontam os últimos vestígios romanos encontrados na região.
No âmbito do primeiro protocolo (1999-2002) entre o IPPAR e a Imoareia, empresa do grupo Sonae que explora o complexo turístico de Tróia, foi criado o Projecto de Conservação e Valorização da Estação Arqueológica de Tróia, que preconizava a realização de diversas tarefas, de acordo com um plano de trabalho elaborado pelo IPPAR.
Conforme refere um memorando do IPPAR, as ruínas de Tróia tornaram-se conhecidas a partir do século XVI, suscitando desde logo o interesse de investigadores como Gaspar Barreiros, André de Resende e João Baptista Lavanha.
Na escavação mais prolongada, entre 1974 e 1976, foi descoberto um conjunto de sepulturas considerado um dos maiores achados e um vestígio importante da presença romana na Península de Tróia.
Os bens móveis recuperados em escavação encontram-se depositados em vários museus e entidades públicas e privadas, estando actualmente o IPPAR a fazer um levantamento de todos eles.
A comissão científica que toma posse quinta-feira, às 12:00, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, é ainda composta por Jorge Alarcão (presidente), Ana Margarida Monteiro, designada pelo IPPAR, tal como Filomena Barata, e Francisco Andrade, da Faculdade de Ciências de Lisboa.