EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Compotas e licores caseiros são alternativa às habituais bijuterias da Ladra Alternativa, em Alfama (C/ Vídeo)

Compotas e licores caseiros são alternativa às habituais bijuterias da Ladra Alternativa, em Alfama (C/ Vídeo)

Lisboa, 30 Nov (Lusa) - Quem for à Ladra Alternativa pode encontrar malas, capas e recipientes feitos de pacotes de leite reciclados e compotas e licores caseiros. Alternativas às habituais malas e bijuterias que enchem os expositores desta feira de artesanato urbano, em Lisboa.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Uma alternativa dentro da Alternativa. É assim que Carla Pinto, produtora de compotas e licores caseiros, descreve o seu espaço de venda de compotas e licores caseiros dentro da Ladra Alternativa, uma feira de artesanato urbano que surgiu no Centro Cultural Magalhães Lima, em Alfama, ela própria como alternativa à conhecida Feira da Ladra de Lisboa.

Quem chega à banca desta artesã gastronómica não compra compotas ou licores sem provar primeiro, porque, afirmou Carla Pinto, o gesto é uma imagem de marca do seu espaço.

"Nós insistimos para que prove, porque mesmo que seja para oferecer é preciso que a pessoa sinta que está a oferecer uma coisa que garante satisfação", explicou.

A um mês do Natal, o negócio deste fim-de-semana são sobretudo as prendas típicas da quadra, mas com contenção, porque os tempos, garantiu Carla Pinto, são de crise.

"Nesta feira vendi algumas prendas de Natal, mas vendi muito piripiri, que são garrafinhas de dois euros. As pessoas estão a optar por prendas menores. Nota-se por aí a recessão que o nosso país enfrenta", avalia a feirante.

No entanto, ressalvou que por ali passa todo o tipo de clientes, desde "os que levam prendas para a família toda, aos que levam só uma lembrança".

A produção de compotas e licores caseiros é uma tradição de família. Alguns dos produtos são feitos com base em receitas de família, outros são resultado de "experiências que correram bem".

Joana Macedo foi uma das clientes que se deixou seduzir pela prova de licores, como o de chocolate, que é, aliás, um dos mais vendidos por Carla Pinto.

"Vim aqui à feira e aproveitei para fazer as primeiras compras já a pensar no Natal", disse à Lusa Joana Macedo, que foi até ao Centro Cultural Magalhães Lima a convite de uma amiga.

Vinda do Porto e sem conhecer Alfama, Joana Macedo acabou por se perder no emaranhado de ruas estreitas e tortuosas, mas aproveitou para conhecer o bairro típico alfacinha, incluindo os restaurantes onde parou para pedir indicações.

A oportunidade de conhecer Alfama a pretexto de uma visita à feira é um dos pontos que a organizadora da Ladra Alternativa, Patrícia Brízido, destaca.

"Este fim-de-semana esperamos muita gente. É um convite para saírem dos centros comerciais. Vir a um ambiente descontraído e divertido conhecer Alfama, que muita gente não conhece", afirmou a responsável pelo evento, que este fim-de-semana completa 16 edições.

Patrícia Brízido declarou que a feira tem crescido de edição para edição - a Ladra Alternativa acontece uma vez em cada dois meses - e que cada vez mais tem sido necessário recusar algumas das muitas inscrições recebidas para participar no evento.

Rita Carrilho foi uma das escolhas para esta edição. O seu projecto de reciclagem de pacotes de leite para produção de malas, capas e recipientes que envolve na cadeia de produção instituições de solidariedade social e um grupo de reclusas da cadeia de Tires chamou a atenção dos organizadores.

"Eles [nas instituições de solidariedade social] cortam, lavam, amachucam, tratam o pacote de leite de forma a poder ser a nossa matéria-prima. Depois de termos a matéria-prima entregamo-la, por exemplo, no centro prisional de Tires, onde as reclusas costuram parte destes produtos", explicou à Lusa Rita Carrilho.

O seu projecto, um misto de reciclagem com promoção da inclusão social, não tem tido, de acordo com a feirante, problemas de aceitação no mercado e Rita Carrilho foi inclusive contactada pela organização de um congresso na área da saúde que se mostrou interessada na utilização das capas para guardar a informação distribuída aos congressistas.


PUB