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Concertos no Jazz em Agosto na Gulbenkian

Concertos no Jazz em Agosto na Gulbenkian

O "Jazz em Agosto", um festival que a Gulbenkian organiza desde 1984, começa na sexta-feira com um concerto de Muham Richard Abrams, George Lewis e Roscoe Mitchell, três músicos de Chicago que se reúnem para tocar pela segunda vez.

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A programação deste ano, que decorre sob o lema "Pianos, baixos, tubas e vozes", está organizada em dois blocos, de 3 a 5 e de 9 a 11 de Agosto, com a actuação de Ornette Coleman, uma das grandes figuras do jazz, e o seu quinteto, no concerto de encerramento.

Rui Neves, director artístico do festival, referiu à Lusa que os concertos de abertura e de encerramento são os pontos altos desta edição.

Na abertura do festival, o trio liderado por Muhal Richard Abrams vai actuar pela segunda vez em concerto, depois de os três músicos terem actuado juntos na Bienal de Veneza, em 2003.

Abrams, nasceu em Chicago em 1930 e é considerado um dos mais influentes artistas da música contemporânea improvisada.

No encerramento do festival, será a vez da actuação do quinteto de Ornette Coleman, um dos grandes inovadores do movimento de free jazz dos anos 1960.

Esta será a quarta vez que Ornette Coleman, 77 anos, actua em Portugal, depois de ter participado no Cascais Jazz em 1971, no Jazz em Agosto em 1988 e de concertos nos Coliseus de Lisboa e Porto com o seu agrupamento em 1996.

O quinteto Ornette Coleman integra, para além deste músico, Tony Falanga (contrabaixo), Charnett Moffet (contrabaixo), Al Macdowell (baixo eléctrico) e Ornette Denardo Coleman (bateria).

Esta edição do festival integra 11 concertos à volta do tema "Pianos, baixos, tubas e vozes".

"O nosso propósito é dar a descobrir um novo tipo de associações de instrumentos no jazz, uma certa renovação na forma de se ouvir instrumentos de jazz", Rui Neves, apontando como exemplo dessa inovação o próprio quinteto de Coleman.

"O Jazz em Agosto não é um festival que vá buscar as coisas que estão a dar", adiantou o mesmo responsável para reforçar a ideia de aposta tanto na história do jazz, como na vanguarda do jazz europeu e norte-americano.

No sábado, será a vez do Hubbub, um dos grupos do novo jazz improvisado francês e do grupo suíço Nik Bärtsch`s Ronin.

O programa deste ano conta com a participação, a 5 de Agosto, dos portugueses Carlos Zingaro (violino) e Jorge Lima Barreto (piano), apresentando ainda em estreia o projecto Low Frequency Tuba Band, liderado pelo português Sérgio Carolino e reunindo também Jay Rosen, Oren Marshall e Marcus Rojas.

Esse dia termina com a actuação da banda norueguesa Crimetime Orchestra, uma orquestra de 12 músicos, dirigida pelo saxofonista Jon Klette.

No sábado, dia 11 de Agosto, antes do concerto de encerramento, actuará a francesa Joelle Léandre (contrabaixo e voz) num solo dedicado a compositores contemporâneos, seguindo-se um grupo de quatro vozes a capela, "Timbre", com Lauren Newton, Elisabeth Tuchamnn, Oskar Morth e Bert Mutter.

Para além dos concertos, nesta edição do festival vai haver ainda duas conferências, a cargo de duas das principais figuras presentes no Jazz em Agosto - o pianista Muhal Richard Abrams e o saxofonista Ornette Coleman - e a apresentação de dois documentários.

Um dos filmes "Ornett: Made in America", de Shirley Clarke, teve a sua estreia em 1985, sendo agora apresentado pela primeira vez em Portugal como "suplemento" à participação do músico norte-americano nesta edição do festival.

Ao longo de 80 minutos, Ornette Coleman é apresentado através dos seus concertos, surgindo com a sua Prime Time Band, com a qual actuou neste festival em 1988 ou em conversa com o filho Denardo com 12 anos, quando este começou a tocar com o pai.

O segundo filme, "My name is Albert Ayler", do cineasta sueco Kasper Collin, constitui uma homenagem ao saxofonista Albert Ayler (1936-1970), desaparecido em circunstâncias misteriosas aos 34 anos (num aparente suicídio) e considerado também uma das figuras incontornáveis do free jazz.

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