"Cordel" abriu a nova temporada do TNSJ

"Cordel" abriu a nova temporada do TNSJ

A nova temporada do Teatro Nacional São João abriu com Cordel, com encenação de José Carretas, que está em cena até dia 25 de Setembro.
A peça reinventa a forma de literatura popular conhecida como "literatura de cordel". São cinco histórias contadas pelo famoso Corcundinha da Cartola, que viveu e morreu na cidade do Porto.

João Fernando Ramos, Rui Sá /
Com Cordel, o teatro homenageia, reinventa, brinca com essa forma de literatura popular conhecida como "literatura de cordel". Uma literatura que remonta ao século XVII e deve o seu nome à guita em que, nas feiras e romarias, se expunham folhas volantes de impressão rudimentar, difundindo factos históricos, versos, cenas de teatro, anedotas ou contos tradicionais.

Atento às memórias e estórias, aos mitos e ritos populares, José Carretas encena este universo originário do grande caudal da literatura oral, seguindo um filão - ou cordel - eminentemente feminino: histórias de mulheres sábias, sanguinárias, místicas, dissolutas e apaixonadas, começando na Xerazade que é a Donzela Teodora, célebre por vencer duelos de sabedoria com os maiores eruditos do seu tempo, e culminando numa capitoa de malfeitores que profanou o corpo da mulher amada para o preservar junto a si, dando origem a um culto secreto que guarda a memória de ladrões com nomes de mulheres.

Cordel desenrola-se como umas mil e uma noites que tivessem lugar num barroco tardio e de feira. Vidas exemplares em rimas imaginosas, desfiadas como um novelo.
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