CP muda locomotivas a vapor de Gaia para linha "sem perigo"
A CP arrancou hoje com os trabalhos de deslocação das locomotivas a vapor abandonadas há mais de 20 anos em Gaia para uma nova linha "sem o perigo da instabilidade" verificado no local em que se encontravam.
"Para prevenir eventuais situações de risco, decidiu-se mudar as locomotivas para outra linha", explicou hoje à Lusa fonte da CP segundo a qual os trabalhos de mudança decorrerão "até à terceira semana de novembro".
Bem no fundo da estação de caminho-de-ferro das Devesas, estão quase escondidas seis locomotivas a vapor, retiradas do serviço ativo no final da década de 1970, guardadas no depósito de Contumil até ao início da década de 1990 e então levadas para Gaia.
Desde 2012 que está a ser desenvolvido um protocolo entre a CP e a Fundação Museu Nacional Ferroviário, que manifestou interesse em ficar com três das locomotivas pelo seu "interesse histórico".
Em causa estão três locomotivas alemãs (294, 282 e 701), as primeiras construídas de acordo com especificações de engenheiros portugueses e que deverão ser transportadas para o museu, no Entroncamento, a fim de serem recuperadas.
O protocolo continua em desenvolvimento mas a "instabilidade" do terreno onde ainda se encontram levou a CP a agir e a mudar as locomotivas de sítio, ainda que dentro da estação das Devesas, em Gaia, mas agora para "uma linha sem perigo" e "para não correr o risco de ruir", explicou a CP.
Ainda segundo a CP, o transporte das três locomotivas para o Entroncamento "está a ser estudado".
Quanto às restantes, "como o estado de conservação não permite a sua recuperação" a CP irá "aproveitar as peças para a locomotiva a vapor" que têm e "tudo o que não for aproveitado será desmantelado e vendido como sucata".
Em 2007 o museu pediu um parecer à Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos de Ferro (APAC) sobre o estado de conservação e viabilidade do restauro dos equipamentos em causa.
"A constatação imediata é que todas as locomotivas estão bastante degradadas, como aliás seria de esperar após quase 30 anos de abandono ao ar livre", revelava o relatório no qual também se afirmava que "mais de 80% do valor de cada locomotiva existe e é aproveitável para efeitos do seu restauro cosmético".
Em julho a APAC continuava a dizer que a "situação das locomotivas é extremamente preocupante" e denunciava então "uma situação de risco irremediável para a existência das locomotivas, não pelo seu estado, mas sim pela estabilidade do local onde se encontram abandonadas há décadas"