Custódia de Belém, obra-prima do manuelino, retirada de exposição terça-feira para restauro

Custódia de Belém, obra-prima do manuelino, retirada de exposição terça-feira para restauro

Lisboa, 28 Abr (Lusa) - A Custódia de Belém, valiosa obra de ourivesaria portuguesa do período manuelino, vai ser retirada terça-feira da sala de exposição no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) para ser restaurada por especialistas, anunciou a entidade.

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Mandada lavrar em 1506 pelo rei D. Manuel I, que depois a ofereceu ao Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, esta custódia (objecto do culto católico no qual se expõe a hóstia consagrada para adoração dos fiéis) faz parte da lista de tesouros nacionais, e constitui um símbolo do período áureo dos Descobrimentos.

Fonte do MNAA disse à Agência Lusa que a Custódia de Belém será retirada temporariamente da primeira Sala de Ourivesaria do museu, onde se encontra, e numa ante-sala deste espaço será instalada uma área de divulgação, que "dará informações periódicas ao público sobre os passos do restauro da obra".

"É uma peça frágil, cujo último restauro data dos anos 40, e será agora alvo de tratamento no vidro do viril [redoma de vidro] e nos esmaltes", indicou a mesma fonte, precisando que a obra "não está em mau estado, mas tem algumas partes em processo de degradação que é preciso travar".

A Custódia de Belém é considerada uma obra-prima da micro-arquitectura do gótico final, e a sua criação é atribuída ao dramaturgo Gil Vicente - considerado o pai do teatro português - que a executou com o ouro trazido por Vasco da Gama no regresso da sua segunda viagem à Índia, em 1503.

Concebida em ouro muito puro, portanto muito macio, está guarnecida com esmaltes coloridos e cristal, tem no topo uma figura sentada num trono que representa Deus, e, ao centro, rodeando o recipiente de cristal onde eram colocadas as hóstias consagradas, estão miniaturas dos doze apóstolos.

A parte inferior é decorada com esferas armilares, o símbolo de D. Manuel I, sob as quais se encontram figuras de animais e flores.

AG.

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