Custódia "extraordinária" de Santo Inácio de Bogotá brilha no Museu de Arte Antiga

| Cultura

A Custódia da Igreja de Santo Inácio de Bogotá, na Colômbia, uma "peça extraordinária" do século XVIII, com quase 1.500 esmeraldas, que levou sete anos a fazer, estará exposta ao público a partir de quarta-feira, em Lisboa.

A peça - de valor incalculável - considerada um tesouro mundial da arte barroca, estará no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), num "momento irrepetível", como sublinhou o diretor da entidade, António Filipe Pimentel, em declarações à agência Lusa.

As tragédias com vítimas mortais dos incêndios em Portugal e dos atentados na Colômbia impediram a sua inauguração pelos presidentes dos dois países, um momento que o diretor espera que venha ainda a ser concretizado até ao início de setembro, durante a permanência de "La Lechuga" em Lisboa.

"Foi uma peça em que se investiu o máximo: o ouro, as esmeraldas, tornam-na única", comentou o diretor do MNAA sobre a obra de arte com quase 1.500 esmeraldas, "daí a cor verde intenso", e a razão pela qual os colombianos lhe chamam "La Lechuga"(a alface, em castelhano).

Ao todo, são 1.759 pedras preciosas encastradas numa base de ouro de 18 quilates, a essência de uma custódia - também chamada ostensório, que serve para expor a hóstia consagrada em ocasiões religiosas solenes - sustentada por um anjo.

As esmeraldas brilham ao lado de um topázio brasileiro, de pérolas de Curaçao e de ametistas da Índia, de diamantes africanos, rubis de Ceilão (atual Sri Lanka) e de uma safira do Reino de Sião, atual Tailândia.

"Tudo isso faz desta obra uma síntese de culturas, e é de excecional valor. A presença dela neste museu enche-nos de orgulho, já que apenas três museus do mundo irão beneficiar da possibilidade desta visita excecional, que não se volta a repetir", comentou à Lusa, durante uma visita de imprensa.

A peça, que sai da Colômbia apenas pela segunda vez, vai estar patente em Lisboa até 03 de setembro, seguindo depois para Paris, para o Museu do Louvre.

Numa visita guiada para a imprensa, com a presença dos embaixadores de Portugal em Bogotá e da embaixadora da Colômbia em Lisboa, entre outros convidados, o diretor do museu salientou a importância desta peça para a arte antiga e para a História daquele país.

"Esta peça é uma espécie de bandeira nacional da Colômbia, é idêntica à importância que tem para os portugueses a Custódia de Belém", comparou António Filipe Pimentel.

Para a inauguração da exposição com a peça, e com uma escultura de Santo Inácio em tamanho natural, proveniente do Museu da Marinha, em Lisboa, estava prevista a presença do presidente da Colômbia, Juan Manuel dos Santos, Nobel da Paz em 2016.

No entanto, devido ao cancelamento da agenda do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pelos incêndios no centro do país, que provocaram já 63 mortos, o presidente da Colômbia aceitou adiar a visita.

"Podia ser um momento para festejar, mas infelizmente não é devido às vítimas, quer em Portugal, quer nos atentados perpetrados na Colômbia", declarou o diretor do museu sobre o ato, que provocou três mortos em Bogotá e que levou ao cancelamento da visita prevista a Portugal para que pudesse liderar as investigações.

Pimentel pediu um minuto de silêncio em memória das vítimas dos dois países e sublinhou a importância de "estabelecer pontes na cultura", através de iniciativas como esta.

O diretor do museu salientou o ineditismo da situação, já que a peça só saiu em 2015 para o Museu do Prado, em Madrid, coincidindo com a visita do chefe do Estado colombiano a Espanha.

Depois de Lisboa, a Custódia - adquirida aos Jesuítas pelo Banco da República da Colômbia - irá ser exposta no Museu do Louvre, em Paris, onde ficará de 19 de setembro a 03 de janeiro de 2018.

"Depois de Paris, a peça, que é um tesouro nacional protegido por lei, regressa a casa e não sairá mais do país", acrescentou o responsável, indicando que esta deslocação a Portugal e França "é absolutamente excecional".

Por seu turno, a embaixadora da Colômbia em Lisboa, Carmenza Jaramillo, considerou uma "grande honra" ter conseguido trazer a obra de arte de Bogotá, "tão valiosa e importante para o país".

"Sei que ´La Lechuga´ se sente tão bem em terras portuguesas como na Colômbia", acrescentou sobre a peça de valor incalculável, que terá uma guarda presencial durante todo o tempo que ficar em Lisboa, até 03 de setembro.

A Custódia da Igreja de Santo Inácio foi encomendada, em 1700, pela Companhia de Jesus, do então Novo Reino de Granada, a José Galez, que a criou entre 1700 e 1707.

 

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