Debate à volta do que é útil e inútil é fundamental - Bispo Manuel Clemente
Lisboa, 28 set (Lusa) -- O bispo Manuel Clemente considerou hoje, numa conferência em Lisboa, que o debate à volta do que é "Useless" (Inútil), tema escolhido este ano pela bienal Experimenta Design (EXD), é "fundamental" quando vivemos um "momento de profunda interrogação.
"Este tipo de debate à volta do que é útil e do que é inútil em termos do valor permanente - que é cada pessoa e a sua dignidade insondável, porque vai além de qualquer previsão - é fundamental", afirmou hoje Manuel Clemente aos jornalistas à margem da conferência que deu no cinema São Jorge, no âmbito da Experimenta Design.
O bispo defende a relevância do debate quando se vive um "momento de profunda interrogação acerca do presente (utilidade prática) e do futuro (utilidade mais simbólica) e temos que equacionar toda esta problemática em função de um só valor permanente que somos nós próprios, ou seja, as pessoas".
"Se isto não se faz, fica tudo do avesso e não chegamos a lado nenhum. Arranjamos mais um colete apertado onde nos vamos afogar qualquer dia", afirmou.
Quanto à crise que a Europa atravessa, Manuel Clemente considera que Portugal tem "todas as condições para mostrar" as suas qualidades: "[temos] todas as condições para mostrar que somos bons".
"Quando nos aplicamos e quando há condições para isso, e algumas já existem e outras podem organizar-se, nós somos realmente bons e podemos dar o contributo daquilo que transportamos para o devir europeu e até universal", disse o bispo, que foi Prémio Pessoa em 2009.
Para Manuel Clemente, "se esta crise serve para alguma coisa, fazendo das tripas coração e das necessidades possibilidades, é para nos retomarmos com aquilo que somos".
"E somos muito e podemos ainda ser mais", sublinhou.
A bienal Experimenta Design arrancou hoje em Lisboa com a inauguração do "Lounging Space", no antigo Tribunal da Boa Hora, e com a conferência no São Jorge com o bispo Manuel Clemente, historiador, pensador e teólogo.
Até 27 de novembro, Lisboa passa a centro da discussão do design, com 126 iniciativas, repartidas por 49 espaços, entre exposições, conferências e intervenções urbanas de 164 participantes, oriundos de 18 países de quatro continentes.