Desapareceu "voz" que está associada a Cabo Verde

Desapareceu "voz" que está associada a Cabo Verde

O presidente cabo-verdiano afirmou hoje que a morte de Bana, falecido sexta-feira em Lisboa, 81 anos, representa o "desaparecimento de um nome e de uma voz associada a Cabo Verde".

Lusa /

"O país acordou com a notícia do desaparecimento físico de Bana. Sabíamos que o estado de saúde dele já estava debilitado há já algum tempo, mas a notícia da morte causa sempre choque, consternação e dor", disse Jorge Carlos Fonseca, ao comentar perante os jornalistas o falecimento do `Rei da Morna`.

"Essa tristeza é ainda maior porque se trata da morte de uma personalidade como Bana, que é um nome e sobretudo uma voz que estão associados a Cabo Verde. Quando pensamos no que é nosso, pensamos no Bana, a `voz` de Cabo Verde, o `Rei da Morna`", sublinhou o chefe de Estado cabo-verdiano.

Lembrando que a música de Bana "atravessou gerações" - "cresci a ouvi-lo e a dançar as suas músicas" -, Jorge Carlos Fonseca recordou que, na sua juventude, todos sentiam que a voz do `Rei da Morna` era "estranha, mas única, ímpar".

"Ganhou projeção tal que ligou as ilhas à comunidade no exterior. Bana está ligado às ilhas, mas também a Lisboa, Luanda, Dacar, Roterdão ou Paris. Tem uma vasta e riquíssima obra e é uma perda muito relevante", afirmou.

"Mas a voz dele não se vai calar. Vai ser ouvida, se calhar mais do que até hoje. Como homem, foi uma personalidade ímpar, com uma dimensão humana muito forte, uma figura intensa que gerava muitas paixões e uma ou outra contestação, como é natural", acrescentou.

Jorge Carlos Fonseca lembrou também ter distinguido Bana, em julho de 2012, com a medalha da 1.ª Classe da Ordem do Dragoeiro, a mais alta condecoração de Cabo Verde concedida à Cultura,

Sobre o facto de o funeral se realizar segunda-feira em Lisboa (marcado para as 14:15 locais - 12:45 em Cabo Verde), Jorge Carlos Fonseca disse "respeitar" o desejo da família e garantiu que fará "todos os possíveis" para estar presente.

"Como chefe de Estado, farei todos os possíveis para estar presente. A dimensão do Bana justifica merecidamente a presença ao mais alto nível dos representantes da Nação cabo-verdiana", concluiu.

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