Diário inédito de jovem judia reflete ocupação nazi da Polónia e será publicado em 2019

| Cultura

O diário de Renia Spiegel, uma jovem polaca judia que enfrentou a ocupação nazi, na II Guerra Mundial, será lançado em inglês, em 2019, mais de setenta anos depois do seu assassínio, aos 18 anos, por soldados nazis alemães.

O diário tem cerca de 700 páginas e retrata a vida de Renia Spiegel, dos 15 aos 18 anos, entre janeiro de 1939 e 30 de julho de 1942, quando soldados alemães de Hitler encontraram a jovem polaca e os pais do seu namorado, Zygmunt Schwarzer, e os mataram a tiro.

As últimas linhas do diário foram escritas por Zygmunt, a 31 de julho de 1942: "Três tiros! Três vidas perdidas! Tudo o que consigo ouvir são tiros, tiros", lê-se num dos excertos publicados esta semana, pela primeira vez em inglês, pela revista Smithsonian, publicação oficial do instituto de investigação de Washington, nos Esatdos Unidos.

"Porque é que decidi começar hoje um diário? Aconteceu alguma coisa importante? Descobri que os meus amigos têm diários? Não! Apenas quero um amigo. Alguém com quem possa falar sobre as minhas preocupações e alegrias diárias. Alguém que irá sentir o que eu sinto, acreditar no que acredito e que nunca revelará os meus segredos. Nenhum ser humano poderia ser esse tipo de amigo", lê-se no início do diário, datado de janeiro de 1939, nove meses antes do início da invasão alemã da Polónia, que marcou o início da II Guerra Mundial.

Nas páginas seguintes, surge a realidade da guerra e a vida de uma adolescente que deseja o fim do conflito e o reencontro com a família, nomeadamente com a mãe, ao mesmo tempo que lida com questões próprias da idade, como a escola, os amigos e as primeiras paixões.

A mãe de Renia, Róza, e a sua irmã, Ariana, sobreviveram à guerra e mudaram-se para a Os Estados Unidos da América, onde, em 1950, encontraram Schwarzer, sobrevivente do extermínio nazi, que passou por vários campos de concentração, como Auschwitz Birkenau e Landsberg.

Schwarzer procurou-as para lhes entregar o diário de Renia Spiegel.

Inicialmente, Ariana não conseguiu ler a obra. Agora, com 87 anos, já consegue fazê-lo por partes sem se sentir "doente", como testemunha a revista.

A sua filha, Alexandra Bellak, quis lê-lo, por isso decidiu Ariana traduzi-lo para inglês, em 2012.

Em 2014, o realizador polaco Tomasz Magierski aceitou a proposta de Ariana e Alexandra de ler o diário, e decidiu fazer um filme sobre Renia Spiegel, além de criar uma competição de poesia em nome da jovem e escrever uma peça baseada na sua história.

O diário foi publicado na Polónia em 2016. Este verão, Ariana conseguiu um acordo com a editora britânica St. Martin Press, que irá lançar o livro em inglês, em 2019, juntamente com a história de sobrevivência do documento.

O jornalista norte-americano Robin Shulman escreveu na revista Smithsonian que "os leitores estabelecerão naturalmente uma comparação com o diário de Anne Frank", acrescentando que "Renia era um pouco mais velha e mais sofisticada, escrevendo frequentemente em poesia, assim como em prosa".

Robin Shulman sublinhou o facto de as jovens terem crescido de forma diferente, já que Rena não ficou fechada, isolada num espaço, escondida das forças nazis de ocupação, como Anne Frank, na Holanda.

"Ler relatos tão diferentes relembra-nos que cada uma das milhões de vítimas do Holocausto teve uma experiência única e dramática. Num momento em que o Holocausto recuou tanto no passado, que até os mais jovens sobreviventes são idosos, é especialmente poderoso descobrir uma voz jovem como a de Renia, que descreve os eventos em tempo real", indicou o jornalista.

Tópicos:

Anne Frank, Ariana, Auschwitz Birkenau, Esatdos, Polónia, Renia Spiegel, Smithsonian, Zygmunt,

A informação mais vista

+ Em Foco

A Girl Move Academy existe há quatro anos com o objetivo de criar uma geração de mulheres líderes. É um “movimento de capacitação e investimento da mulher”.

    Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

      A menos de 100 quilómetros da fronteira com a Síria, a cidade turca de Gaziantep é uma terra de tradições e sabores.

      Fotografias da autoria do artista berlinense Martin Dammann lançam luz sobre o lado mais obscuro da Wehrmacht.