DRCN questionou Refer sobre desmantelamento da Linha do Corgo

DRCN questionou Refer sobre desmantelamento da Linha do Corgo

Vila Real, 11 jan (Lusa) -- A Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) questionou a Refer sobre o desmantelamento da Linha do Corgo, considerando que deveria ter sido ouvida neste processo porque a via-férrea é um elemento paisagístico do Douro Património Mundial.

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A diretora da DRCN, Paula Silva, afirmou hoje à Agência Lusa que esta estrutura, através do Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (Igespar), enviou um ofício à Refer, no final de dezembro, para saber o que passou na Linha do Corgo.

É que, segundo explicou, os organismos que tutelam e têm como função a salvaguarda do património classificado pela UNESCO, têm que emitir opinião sobre qualquer atividade que se faça dentro da área classificada.

Ora, Paula Silva disse que o IGESPAR não foi informado do processo que ditou o fim da Linha que ligava Vila Real ao Peso da Régua.

"Não fomos contactados", salientou.

Encerrada desde março de 2009 pelo governo PS, que alegou razões de segurança, esta via-férrea deveria ter sido alvo de um investimento de 23,4 milhões de euros em obras de reparação e reabrir até ao final de 2010.

As obras pararam após o desmantelamento dos carris, ficando no lugar da linha uma estrada de terra batida.

Em outubro, o governo de Pedro Passos Coelho decidiu suspender o processo de reativação da linha ferroviária do Corgo.

Paula Silva referiu que a DRCN não pode impedir que a linha seja fechada.

"Agora, a questão do desmantelamento é que é diferente", frisou.

E foi precisamente sobre o levantamento de carris e travessas, o que constitui uma alteração substancial à paisagem na área de proteção delimitada pela UNESCO, que a Refer foi questionada, não tendo dado até hoje qualquer resposta.

"Nós não podemos contrariar algumas coisas. O património é evolutivo. As coisas mudam de função, de uso", referiu.

Neste sentido, Paula Silva lembrou que o Douro foi classificado pela UNESCO como Paisagem Cultural Evolutiva e Viva.

"Não posso dizer que a linha não pode continuar. Isso não quer dizer que os diversos serviços do Estado não tenham que falar uns com os outros, porque isso têm", salientou.

O Douro foi classificado como Património Mundial da Humanidade em 2001.

O décimo aniversário, que se assinalou a 14 de dezembro, ficou marcado pela divulgação de um relatório elaborado pela associação Icomos que alertou que a construção da Barragem de Foz Tua terá "um impacto irreversível" e constitui uma "ameaça ao valor excecional universal".

Logo de seguida, ambientalistas e o Partido Ecologista "Os Verdes" alertaram para o risco de desclassificação do Alto Douro Vinhateiro.

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