Editada obra do século XVII "vital" para os estudos etíopes
Lisboa, 02 Out (Lusa) - A "História da Etiópia" do missionário espanhol Pedro Páez, o primeiro explorador europeu a alcançar as fontes do Nilo Azul, é apresentada sexta-feira na Livraria Bulhosa ao Campo Grande, em Lisboa.
A obra, de 1621, é considerada "vital" para os estudos etíopes, disse à Lusa o antropólogo Manuel João Ramos, um dos editores.
"Trata-se de uma fonte documental fundamental para os estudos etíopes, na medida em que Páez mostra a realidade tal como a vê e foi o primeiro europeu a traduzir textos etíopes, designadamente da descrição do casamento da Rainha do Sabá com o Rei Salomão", disse Manuel João Ramos.
"Relativamente ao que se teorizou até ao século XVII sobre a Etiópia, Páez podia contrapor afirmando: `Eu vi` ou `eu estive lá`. Basta referir as fontes do Nilo Azul que eram citadas deste Heródoto e que nunca as tinha atingido, e ele esteve lá", sublinhou Manuel João Ramos.
A última edição desta fonte data de 1946, "porém trata-se de uma edição paleográfica enquanto a actual moderniza a linguagem, compara as duas edições jesuítas conhecidas, a de Roma e a de Braga, e tem um texto crítico que elucida o leitor", disse à Lusa o investigador.
Além de Manuel João Ramos os outros responsáveis pela actual edição que tem a chancela da Assírio & Alvim e conta com o apoio da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, são Isabel Boavida e Hervé Pennec.
Também terça-feira, mas nas instalações do ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa) realiza-se o I Encontro de Escrita Missionária, "uma área bibliográfica esquecida em Portugal", segundo Manuel João Ramos.
No centro dos debates que decorrem durante todo o dia no Auditório B204 no ISCTE centrar-se-ão em África, referindo-se também a Índia.
A escrita missionária é entendida, explicou o antropólogo à Lusa, "sob forma epistolar, catequética, apologética, dramatúrgica, historiográfica e etnográfica, tendo sido uma importante marca da missionação no âmbito do projecto de reordenação do mundo, liderado pelas monarquias ibéricas nos séculos XVI a XVIII".
Além de Manuel João Ramos, Isabel Boavida e Hervé Pennec neste encontro participam entre outros, Ines Zupanov, Florence Pabiou-Duchamp, José Horta e Manuel Barradas.
Entre os temas em debate refiram-se "escrever para legitimar as missões" ou "A relação de Giuseppe da Modena: um guia para a acção missionária no Kongo e em Angola no 1º quartel do século XVIII".
NL.
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