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Elisabete Matos e Eric Caves protagonizam ópera "Tristan und Isolde", de Wagner

Elisabete Matos e Eric Caves protagonizam ópera "Tristan und Isolde", de Wagner

O Teatro Nacional de S. Carlos (TNSC) apresenta esta semana uma nova produção da ópera "Tristan und Isolde", de Richard Wagner, com encenação de Charles Edwards e direção musical de Graeme Jenkins.

Lusa /

A ópera, protagonizada pelo tenor Erin Caves e a soprano Elisabete Matos, está em cena no grande auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, na próxima quinta-feira, às 18:00, e domingo, às 15:00, com a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do TNSC.

Em declarações à agência Lusa, Charles Edwards afirmou que "o essencial é seguir a música", referindo que esta é uma ópera "complexa" e "incrivelmente longa", com cerca de cinco horas, mas, "se tudo estiver coordenado com a orquestra, parece que são cinco minutos".

"Tristan und Isolde" ("Tristão e Isolda"), ópera composta por Richard Wagner entre 1857 e 1859, "tem nos seus pressupostos uma forte componente psicológica e filosófica, e trata grandes temas como a vida, a morte, o amor e a honra".

Temáticas que, segundo o encenador britânico, "não mudaram muito" desde os tempos de Wagner, pois "continuamos os mesmos seres humanos".

"Talvez a honra, tenha mudado um pouco", condescendeu.

Para Edwards, que encena em Lisboa pela primeira vez, para "montar uma ópera, e muito especialmente, esta", é necessário compreendê-la primeiro.

"Refleti primeiro sobre o que estas grandes questões -- a vida, a morte, o amor e a honra -- significavam para mim. Como é que eu entendia o que está por detrás desta drama musical, do ponto de vista psicológico e filosófico".

O segundo passo foi pensar para que audiência ia trabalhar. "É essencial sabermos se a língua usada na ópera é a língua natal da audiência. Neste caso concreto, o alemão não é a língua natal, nem a mais familiar à plateia portuguesa, mais habituada ao italiano e ao francês".

Para o encenador, refletir sobre a perspetiva linguística ajuda-o a tomar decisões, porém, "o mais importante é a música, é a música que comanda tudo: como se movem as personagens em palco, como se desenha a cena dramática, e como se ilumina".

Crítico das legendas eletrónicas, Charles Edwards afirmou que trabalha a encenação "de modo a que o espetador perceba claramente, pela iluminação, marcação cénica, alguns objetos, qual a intensidade dramática do momento".

"A ópera é essencialmente tensão espacial e tensão musical, e eu não trato as personagens como bonecos, mas sim como espaços de tensão, e essa tensão tem de ser dada pelos movimentos de cena, pela luz e pelos espaços que ocupam", explicou à Lusa.

"Para conseguir todo este conjunto é só seguir a música, está tudo lá, a orquestra é uma personagem que contracena com as personagens no palco", argumentou.

"A música é mais importante até que o texto, especialmente nesta ópera que tem um libreto tão complexo e numa língua tão pouco familiar à plateia", sustentou.

A encenação foi "gizada geometricamente, antes de ser colocada em palco", disse Edwards que referiu ter começado por ser cenografista.

Quanto ao cenário, o britânico optou por uma estética "moderna mas não feio, nem minimalista, um cenário em equilíbro com a música e que aproxime o drama operático das pessoas".

"Tristão e Isolda" é "quase uma ópera de câmara", argumentou, referindo o diminuto número de personagens em cena, que "quase nunca ultrapassa as quatro ou cinco". Nesta encenação em Lisboa, Edwards optou por não trazer a cena o coro.

A ópera abre com uma projeção do alto mar a partir de uma vigia de um navio, onde decorre a ação do 1.º ato, o barco que leva Isolda à Cornualha.

Charles Edwards é já conhecido do público português, tendo assinado em 2011, a cenografia da ópera "Katya Kabanova", de Janacek, levada à cena no TNSC.

Sobre o público português, qualifica-o como "sofisticado, que adora ópera e de mente muito aberta, até em comparação com outros países europeus", nomedamente o Reino Unido.

Questionado sobre o facto de as duas récitas da ópera estarem já esgotadas, o encenador afirmou: "Acho natural, não pelo meu trabalho, mas porque o público tem fome de ópera, depois de temporadas com muito poucas récitas", e citou "o sucesso que foi [em 2006, no TNSC] a apresentação d`"O Anel de Nibelungo, as quatro óperas de Richard Wagner, numa nova produção assinada pelo seu compatriota Graham Vick.

O britânico elogiou o trabalho do também seu compatriota, Patrick Dickie, como diretor artístico do TNSC, por promover produções próprias.

"O facto de se trabalhar em produções próprias orgulha quem nelas participa, empenha mais o elenco, é muito diferente de trazer uma produção feita fora, e colocar nela o elenco", disse.

"Tristan und Isolde", além de Elisabete Matos e Erin Caves, conta com os desempenhos de Kristinn Sigmundsson, Catherine Carby, Luís Rodrigues, Marco Alves dos Santos e João Oliveira, que aperece em dois papéis, o pastor e o timoneiro.

A ópera, em três atos, foi estreada em 1865, no Real Teatro da Baviera, em Munique. A última vez que foi levada à cena no TNSC foi há 32 anos.

A nova produção surge no âmbito da parceria do TNSC com o Centro Cultural de Belém, que, na temporada de 2015/16, levou a cena a ópera "A Flowering Tree", de John Adams, com encenação de Nicola Raab, que assinará a próxima nova produção da temporada, no final deste mês, com direção musical de Joana Carneiro: o duplo programa "Pagliacci", de Ruggero Leoncavallo, e "O anão"/"Der Zwerg", de Alexander von Zemlinsky.

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