Escritora Paulina Chiziane é a vencedora do Prémio Camões deste ano

por RTP

FOTO: Wikipédia

A escritora moçambicana esteve há pouco à conversa com o jornalista António Esteves na RTP3, abordando a sua obra e os seus planos de futuro.

A escolha da escritora moçambicana, a primeira mulher do seu país a publicar um romance, Balada de Amor ao Vento, depois da independência (1990), foi feita por unanimidade, anunciou a ministra portuguesa da Cultura, Graça Fonseca. "No seguimento da reunião do júri da 33ª edição do Prémio Camões, que decorreu no dia 20 de outubro, a ministra da Cultura anuncia que o Prémio Camões 2021 foi atribuído à escritora moçambicana Paulina Chiziane", lê-se na nota informativa hoje divulgada.

"O júri decidiu por unanimidade atribuir o Prémio à escritora moçambicana Paulina Chiziane, destacando a sua vasta produção e receção crítica, bem como o reconhecimento académico e institucional da sua obra" explicou.

O júri referiu também a importância que dedica nos seus livros aos problemas da mulher moçambicana e africana. O júri sublinhou o seu trabalho recente de aproximação aos jovens, nomeadamente na construção de pontes entre a literatura e outras artes.

Paulina Chiziane é autora também de Ventos do Apocalipse (1993) e Niketche - uma história de poligamia (várias edições em Portugal, Brasil e Moçamboque), entre uma dezena de obras, algumas das quais traduzidas em inglês, alemão, italiano, espanhol, francês, sérvio, croata.

O Prémio Camões, instituído por Portugal e pelo Brasil em 1989, é o maior prémio de prestígio da língua portuguesa. Com a sua atribuição, é prestada anualmente uma homenagem à literatura em português, recaindo a escolha num escritor cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento da língua portuguesa.

O júri da 33ª edição do Prémio Camões foi constituído por Ana Martinho, professora universitária (Portugal); Carlos Mendes de Sousa, professor universitário (Portugal); Jorge Alves de Lima, escritor e investigador (Brasil); Raul César Fernandes, professor universitário (Brasil); pelos PALOP, Tony Tcheka, escritor (Guiné-Bissau); Teresa Manjate (Moçambique).

O Prémio Camões foi já atribuído, por ordem cronológica, a Miguel Torga (Portugal), João Cabral de Mello Neto (Brasil), José Craveirinha (Moçambique), Vergílio Ferreira (Portugal), Rachel de Queiroz (Brasil), Jorge Amado (Brasil), José Saramago (Portugal), Eduardo Lourenço (Portugal), Pepetela (Angola), António Cândido (Brasil), Sophia de Mello Breyner Andresen (Portugal), Autran Dourado (Brasil), Eugénio de Andrade (Portugal), Maria Velho da Costa (Portugal), Rubem Fonseca (Brasil), Agustina Bessa-Luís (Portugal), Lygia Fagundes Telles (Brasil), Luandino Vieira (Angola), António Lobo Antunes (Portugal), João Ubaldo Ribeiro (Brasil), Arménio Vieira (Cabo Verde), Ferreira Gullar (Brasil), Manuel António Pina (Portugal), Dalton Trevisan (Brasil), Mia Couto (Moçambique), Alberto da Costa e Silva (Brasil), Hélia Correia (Portugal), Radouan Nassar (Brasil), Manuel Alegre (Portugal), Germano Almeida (Cabo Verde), Chico Buarque (Brasil) e Vítor Aguiar e Silva (Portugal).

c/ Lusa
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