Escritório de arquitetura de Oscar Niemeyer lamenta polémica no Centro de Avilés em Espanha
Rio de Janeiro, 13 out (Lusa) -- O escritório de arquitetura de Oscar Niemeyer no Brasil lamentou hoje a polémica em torno do Centro Cultural de Avilés, na Espanha, que coloca em risco o futuro do instituto, inaugurado em março deste ano.
"É uma briga política. O que houve foi uma troca de governo e agora estão querendo tomar isso da mão das pessoas que estavam na administração", afirmou à Lusa o arquiteto Jair Valera.
Valera foi o responsável por chefiar as obras do edifício que teve o nome do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, e esteve no passado fim de semana em Avilés, onde acompanhou de perto a situação e as manifestações populares a favor da continuidade da instituição.
"É uma pena [o que está a acontecer], mas acredito que fechar não vai. Pode haver uma troca de administração. Não sei se para pior ou para melhor, mas tenho a impressão de que fechar não vai, porque há um apoio muito grande da população", declarou.
O projeto do edifício foi uma doação do próprio Óscar Niemeyer que, ao ser solicitado a fazer uma palestra pelos 25 anos da criação do Prémio Príncipe das Astúrias -- com o qual foi premiado em 1989 -- argumentou que o mais coerente seria fazer um desenho.
A obra levou dois anos para ser construída e contou com o financiamento de 44 milhões de euros do Governo das Astúrias.
Em seis meses de funcionamento, o complexo cultural atraiu mais de um milhão de visitantes e tem contribuído de maneira significativa para o aumento do turismo e a dinamnização da economia de toda a região.
"Lamentamos porque prejudica a imagem, porque estão perdendo contatos para novos espetáculos. E estava indo muito bem, ajudou a aumentar muito o turismo da região. Acho que fez bem não só para Avilés, mas para toda Astúrias", ressaltou o responsável.
A polémica em torno da administração do Centro Niemeyer começou após a posse do novo governo regional, em maio deste ano.
Os governantes querem ter maior peso no conselho de administração da instituição e acusam a atual gestão de irregularidades, ainda não especificadas ou comprovadas.
Numa entrevista concedida ao jornal brasileiro "O Globo", o subdiretor do Centro Niemeyer, Joan Pycaniol, nega as acusações e afirma que estão a ser alvo de difamação.
Segundo Joan Pycaniol, a imagem do Centro está a ser prejudicada e as negociações para futuros concertos, nomeadamente com o cantor e compositor Bob Dylan, tiveram de ser interrompidas.
Caso não cheguem a um acordo, há o risco de a instituição fechar, uma vez que o contrato com a atual administração expira em dezembro deste ano.