Espanhol Jaime Siles vence 35.º Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana
O poeta e filólogo valenciano Jaime Siles venceu o 35.º Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana, que tem como finalidade reconhecer a obra poética completa de um autor vivo, foi hoje divulgado.
O júri reconheceu um poeta que "incorpora o ideal renascentista do artista completo", representando a experiência poética na intersecção da reflexão filosófica e do pensamento crítico, salientou a presidente do Património Nacional de Espanha, Ana de la Cueva.
A decisão, tomada por maioria de votos, enfatiza a capacidade de Siles de "unir o abstrato e o sensorial, com uma expressão próxima do discurso científico", e ainda o facto de "explorar, através da linguagem, um problema fundamental: a identidade e a sua relação com todos os aspetos da natureza humana".
Este ano, foram recebidas 65 nomeações de 15 países para o prémio que atribui 42.100 euros.
Juan Manuel Corchado, reitor da Universidade de Salamanca, salientou que "Siles é um dos mais notáveis poetas da poesia espanhola contemporânea, com uma obra que abrange tanto a poesia como a reflexão filosófica e literária".
O reitor recordou que o premiado foi aluno daquela universidade, onde se doutorou em Filologia e onde, durante um período, exerceu funções de professor temporário de Filologia.
A poeta e porta-voz do júri, Raquel Lanseros, descreveu as características da poesia de Siles, incluindo as suas raízes greco-latinas clássicas, e destacou que, no seu caso, "a Antiguidade não é um ornamento, é uma forma de ver o mundo".
Lanseros referiu ainda a "essencialização" como outra das suas características marcantes, referindo-se ao facto de Siles "ter reduzido os seus versos ao essencial, com poucos adjetivos e uma elevada concentração de significado em cada poema", e a "metarreflexão linguística", porque para ele "a palavra não é meramente um instrumento comunicativo para descrever a realidade, a palavra é a realidade, a única forma possível de realidade".
Filólogo, tradutor e professor especializado em línguas clássicas, Siles, que nasceu em Valência em 1951, é um dos mais prestigiados poetas da geração espanhola dos anos setenta e foi reconhecido, entre outros, com o Prémio Nacional de Literatura e o Prémio Internacional Geração de 27.
Entre os seus livros contam-se "Canon", "Música de agua" e "Himnos tardíos", tendo também publicado ensaios e artigos sobre literatura clássica e poesia contemporânea.
A sua poesia é caracterizada pelo refinamento formal e pela influência clássica, e evoluiu do "culturalismo" para uma poesia "mais metafísica".
O prémio será entregue pela rainha Sofia numa cerimónia no último trimestre do ano e inclui ainda a publicação de uma antologia dos seus poemas, conferências académicas e um estudo da sua obra por um professor da Universidade de Salamanca.
Desde a sua criação, em 1992, o prémio já foi atribuído a 34 grandes nomes da poesia em língua espanhola e portuguesa.
Em 2021, Ana Luísa Amaral tornou-se a terceira autora portuguesa a receber o prémio, depois de Sophia de Mello Breyner (2003) e Nuno Júdice (2013).