Espetáculo conta lenda sobre abóbada do Mosteiro da Batalha

Espetáculo conta lenda sobre abóbada do Mosteiro da Batalha

Batalha, 12 ago (Lusa) -- O espetáculo "A abóbada não caiu! A abóbada não cairá!", que conta a lenda associada ao Mosteiro da Batalha, decorre de quinta-feira a domingo, no monumento que comemora 30 anos da classificação como Património Mundial da Humanidade.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"É um espetáculo itinerante que permite às pessoas fazer uma visita ao mosteiro, mas ilustrada por esta história, que é uma lenda do mestre Afonso Domingues, primeiro arquiteto do monumento", disse à agência Lusa o encenador e responsável do projeto, Tobias Monteiro.

Segundo Tobias Monteiro, o público "vai poder ter acesso a um texto de António Patrício [1878-1930], um dos mais importantes dramaturgos portugueses", intitulado "A paixão de mestre Afonso Domingues".

"A particularidade do texto é o facto de ser inédito, nunca ter sido publicado e foi representado uma única vez, nos anos 80, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa", referiu o encenador, acrescentando que outra "curiosidade" está no facto de o texto, assim como o mosteiro, estar inacabado, numa alusão às Capelas Imperfeitas.

A primeira abordagem da lenda sobre a abóbada da Sala do Capítulo, onde está o túmulo dos Soldados Desconhecidos, remonta à "História de S. Domingos" (1623), de frei Luis de Sousa, na qual escreve que "a abóbada da casa do capítulo fora levantada por três vezes; das primeiras duas vezes, caiu com grande perda de vidas".

"Conta a lenda que mestre Afonso Domingues, primeiro arquiteto do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, em cumprimento de um voto fatal, disponibilizou-se jejuar durante três dias e três noites, na célebre sala do capítulo, agrilhoado a uma pedra, sob a referida abóbada, como garante da estabilidade da sua obra, a fraqueza e a velhice acabaram por não ser resistentes e Mestre Afonso falece, não sem antes concluir com a célebre frase: `A Abóbada não caiu, a abóbada não cairá!`", adianta a obra.

No século XIX, Alexandre Herculano (1810-1877) retoma a lenda na "Seleção de Lendas e Narrativas", na qual se baseou António Patrício, que "começou por escrever o I e III atos, na expectativa de conseguir fazer o resto, mas faleceu deixando o texto inacabado", explicou o encenador, natural da Batalha.

"O mestre Afonso Domingues morreu no terceiro dia do voto, o que não deixa de ter alguma ligação", considerou Tobias Monteiro, que também se baseou na versão de Alexandre Herculano para completar o texto "A paixão de mestre Afonso Domingues" e, dessa forma, apresentar ao público a "lenda na íntegra".

O espetáculo tem no elenco 14 atores, entre os quais Fernando Luís e Ana Bustorff, que dão vida, respetivamente, ao mestre Afonso Domingues e à sua amada Violante, além de dois elementos italianos, do Teatro Pícaro.

A encenação, uma produção da Kind of Black Box, associação cultural sem fins lucrativos sediada em Lisboa, de que Tobias Monteiro é um dos diretores, e o mosteiro realiza-se sempre às 19:30 e é limitada a 200 pessoas por sessão.

Percorre espaços como as Capelas Imperfeitas, o Claustro Real e a Sala do Capítulo e, segundo o responsável do projeto, "não era possível sem o apoio de entidades privadas".

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