Estreia do documentário "Falamos de António Campos" abre Panorama na sexta-feira

Estreia do documentário "Falamos de António Campos" abre Panorama na sexta-feira

Lisboa, 12 Fev (Lusa) - O documentário "Falamos de António Campos", de Catarina Alves Costa, abre na sexta-feira em Lisboa o Panorama - Mostra do Documentário Português, que dedicará uma retrospectiva àquele realizador, falecido há dez anos.

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Em "Falamos de "António Campos", produzido pela Midas Filmes, Catarina Alves Costa dá a conhecer um dos mais importantes realizadores do documentário português através de testemunhos de críticos, familiares e de pessoas que trabalharam com o cineasta.

O filme integra ainda excertos da obra de António Campos, incluindo o seu primeiro filme, "o Rio Liz", de 1957.

"Descobri o homem por detrás dos filmes, com as suas fragilidades, a sua personalidade, uma forma muito especial de ser", explicou a realizadora à agência Lusa, referindo que o trabalho de pesquisa a levou a Leiria e percorrer alguns dos trajectos pessoais do realizador.

Durante o Panorama, até ao dia 22 no cinema São Jorge, serão exibidos alguns filmes de António Campos, referências no cinema etnográfico, como "Falamos de Rio de Onor" (1974), "A Festa" (1975), "A Almadraba Atuneira" (1961) e "Um tesoiro" (1958), com estes dois últimos a serem exibidos sexta-feira com música ao vivo pelos München.

Catarina Alves Costa partiu para o filme com algum fascínio pela personagem de António Campos, uma noção que foi desmontando à medida que aprofundou o conhecimento sobre o realizador, até descobrir o lado humano, de um homem que se manteve à margem das tertúlias lisboetas.

"Era um clássico, não era uma pessoa que estava dentro das modas do seu tempo, do Cinema Novo, não estava integrado nessas correntes", opinou.

"No fundo, acho que ele é mais parecido com as pessoas da minha geração nalgumas preocupações que ele tinha. O tipo de trabalho que queria fazer se calhar não era muito adequado àquela época, havia radicalmente um corte entre o que era amador e o que era profissional", sublinhou a realizadora, de 41 anos.

António Campos, que registou em filme o Portugal rural e interior dos anos 1960 e 1970, morreu em 1999 aos 77 anos.

A escolha de António Campos conjuga-se com o tema que predomina no Panorama 2009, em que se irá debater a produção, o trabalho mais invisível na realização de um documentário.

Como o Panorama pretende ser anual, depois de duas edições bienais, a programação deste ano apresenta menos filmes, 43 no total, grande parte dos quais seleccionados da produção documental de 2008.

Entre eles contam-se "Bab Sebta", de Frederico Lobo e Pedro Pinho, distinguido no Doclisboa, "Aquele querido mês de Agosto", ficção documental de Miguel Gomes, "O tapete voador", de João Mário Grilo, e "O meu amigo Mike ao trabalho", de Fernando Lopes.

Entre os filmes que terão estreia no Panorama contam-se "Da vida das bonecas", de Neni Glock, "Árvores", de Eva Ângelo, e "Cordão verde", de Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres.

Estão ainda previstos debates com realizadores e um encontro com produtores de cinema para discutir o que é produzir documentários em Portugal.

O Panorama, que tem um orçamento de cerca de 50 mil euros, é organizado pela Apordoc, Associação pelo Documentário, pela EGEAC, Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, e pela Videoteca Municipal de Lisboa.

A organização espera superar os espectadores das edições anteriores, de dez mil espectadores.

SS.


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