Estudo contabiliza volume de negócios de sector da indústria musical subavaliado
Um levantamento do volume de negócios gerado pela indústria musical portuguesa está a ser feito por um grupo de pessoas ligadas ao sector, visando perceber melhor o seu peso específico - revelou hoje o responsável do projecto.
De acordo com o musicólogo Hélder Bruno Martins, que está a liderar o projecto, o levantamento visa conhecer melhor o peso específico na economia nacional da produção musical, "um dos melhores produtos que Portugal pode exportar".
"Devido à inexistência de enquadramento jurídico-legal e fiscal do sector, não é possível chegar a valores exactos sobre o volume de negócios", disse Hélder Martins, que falava à agência Lusa à margem da primeira Feira da Indústria Musical Portuguesa (FIMP), que começou hoje na Lousã.
Um dos objectivos da FIMP, evento pioneiro em Portugal, é contribuir para perceber com mais exactidão os contornos do volume de negócios gerado pela indústria musical, que Hélder Martins, director geral do evento, julga ser "muito superior ao que se pensa".
"Só relativamente a direitos de autor -e muitos não serão pagos - existe uma fatia considerável", adiantou o investigador, que prepara uma tese de doutoramento em ciências musicais.
Depois do levantamento efectuado, ainda sem data previsível de conclusão, o estudo será apresentado às "instituições de soberania para se perceber melhor a importância da música na conjuntura actual e o papel que pode ter no desenvolvimento da economia e da cultura portuguesas".
"É um dos melhores produtos que podemos exportar para criar uma imagem, uma marca de Portugal. Temos brilhantes compositores", frisou Hélder Martins.
A FIMP, que decorre até domingo no parque municipal de exposições da Lousã, visa também proporcionar uma "plataforma de negócios a todos os que desenvolvem uma actividade relacionada com a música e permitir a identificação de questões e interesses comuns a todas as pessoas do meio musical" - segundo uma nota sobre o evento.
Concertos e várias actividades artísticas, lúdicas e pedagógicas constam do programa da feira, que compreende ainda dois colóquios sobre "Musica, Economia e Mercado de Trabalho" (sexta-feira) e "Música e Internet" (domingo).
Cento e cinquenta músicos da Orquestra Filarmonia das Beiras e do Coro e Orquestra de Sopros e Orquestra de Cordas do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro sobem ao palco no espectáculo de abertura da FIMP, marcado para sexta-feira à noite.
O Emsemble Amadeus actua hoje à noite no cine-teatro da Lousã, num espectáculo de entrada livre que vai proporcionar "uma viagem no tempo" até à segunda metade do Século XVIII, comemorando os 250 anos do nascimento de Mozart.
Assinalando os 60 anos da marca Fender, será exposta na FIMP a guitarra de edição limitada "Fender Stratocaster", a sortear durante o certame.
A feira é organizada pela Academia de Música da Lousã e pela Câmara Municipal, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Autores e da Cooperativa de Gestão dos Direitos dos Artistas, entre várias entidades.