Exposição de fotógrafos de guerra no Centro Cultural das Caldas da Rainha
Uma exposição de 16 fotógrafos ucranianos relacionada com a conflito entre a Rússia e a Ucrânia vai estar patente a partir de sábado até ao final de agosto no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha.
Intitulada "They Fight For Us Too" ("Eles também lutam por nós", em tradução livre), a mostra fotográfica reúne trabalhos de 16 fotógrafos ucranianos que testemunham a guerra na Ucrânia, anunciou hoje a organização.
Os fotógrafos "documentam a realidade da guerra, desde a linha da frente às histórias de civis, refugiados e comunidades afetadas pelo conflito", refere a nota de imprensa divulgada.
As imagens retratam a destruição e a violência da guerra, mas também a capacidade de resistência do povo ucraniano confrontado com as circunstâncias extremas da guerra desde a escalada do conflito, em 2022, aquando da invasão da Ucrânia pelas forças russas, em fevereiro de 2022.
As fotografias são complementadas por textos inéditos dos escritores portugueses Ana Bárbara Pedrosa, Ana Margarida de Carvalho, Gonçalo M. Tavares, Julieta Monginho e Rui Couceiro.
Os textos são inspirados nas fotografias expostas, estabelecendo um diálogo entre fotografia e literatura em torno da memória, da guerra e da condição humana.
"Trazer `They Fight For Us Too` para Portugal era um objetivo que partilhávamos desde o início deste projeto. Estas fotografias são muito mais do que documentos de guerra, são testemunhos de vidas interrompidas, de resistência e de esperança", afirma o curador da exposição, João carlos, presidente da associação portuguesa F/SOS -- Fotografia, Solidariedade e Obras Sociais, citado na nota de imprensa.
A exposição, produzida pela Ukrainian Association of Professional Photographers (UAPP) e pela associação portuguesa F/SOS -- Fotografia, Solidariedade e Obras Sociais, "nasceu com o objetivo de preservar a memória da guerra através do olhar daqueles que a documentam diariamente".
"Desde o início da invasão em grande escala, os membros da UAPP assumiram a responsabilidade de documentar um momento decisivo da História. Esta exposição reúne parte desse trabalho coletivo e demonstra o papel fundamental da fotografia na preservação da memória. Apresentá-la em Portugal significa levar estas histórias a novos públicos e garantir que não são esquecidas", sublinha a associação ucraniana.
A mostra, que chega a Portugual com o mecenato do grupo português TEKEVER, faz parte da programação do F/262 -- Festival Internacional de Fotografia, concebido com o objetivo de criar espaços de diálogo através da fotografia e da cultura.
"A tecnologia permite-nos compreender melhor o que nos rodeia, mas são as pessoas e as suas histórias que lhes dão significado", afirma Ricardo Mendes, diretor executivo do grupo português de tecnologia, aeronáutica, segurança e defesa que faz o mecenato da mostra em Portugal, com o objetivo de apoiar "os profissionais que, com enorme coragem, documentam a realidade da guerra e preservam testemunhos que não podem ser esquecidos".
"É uma iniciativa que promove a memória e a reflexão sobre o impacto humano dos conflitos", conclui Ricardo Mendes, citado pelo texto de apresentação da mostra.
A inauguração conta com a presença da fotógrafa ucraniana Vlada Liberova, autora de algumas das imagens da mostra, e da fotojornalista Yelyzaveta Kovtun, responsável da Frontliner, organização de comunicação social ucraniana independente, em representação do fotógrafo e correspondente de guerra Andrii Dubchak, também autor de fotografias expostas.
A mostra já passou por cidades como Pelt, na Bélgica, e Cheb, na Chéquia.