Fecho de ruínas romanas de S. Cucufate é "vergonhoso"
O presidente do município de Vidigueira (Beja) qualificou hoje de "vergonhoso" o fecho ao público das ruínas da villa romana de São Cucufate, mas a entidade gestora do monumento nacional garantiu que se trata de uma situação provisória.
As ruínas de São Cucufate, situadas na freguesia de Vila de Frades, naquele concelho alentejano, estão fechadas ao público desde 30 de Outubro por falta de pessoal que garanta a abertura do espaço nos horários normais de visita.
"É vergonhoso que um monumento tutelado pelo Estado e de grande importância histórica e turística esteja fechado ao público há mais de um mês por alegada falta de pessoal", disse Manuel Narra, em declarações à agência Lusa.
Lembrando que se trata de um monumento único na Península Ibérica, um dos principais vestígios romanos e um dos "grandes atractivos turísticos" no Baixo Alentejo, o autarca alertou para o facto de a situação estar a "prejudicar o turismo cultural na região".
Contactada pela Agência Lusa, a directora Regional do Alentejo do Instituto Português do Património Arquitectónica (IPPAR), Filomena Barata, reconheceu hoje a "inconveniência" da situação, garantindo que ela seria "provisória".
De acordo com a responsável, a abertura do monumento ao público tem vindo a ser assegurada por funcionários contratados ao abrigo de um protocolo de mercado social de emprego entre o IPPAR e o Instituto de Emprego e Formação profissional (IEFP).
Explicando que a funcionária que estava a trabalhar no local terminou o contrato no final de Outubro e "não foi substituída em tempo oportuno pelo IEFP", Filomena Barata referiu que, por esse motivo, "o IPPAR foi obrigado a fechar o monumento".
"Trata-se de um fecho provisório", afirmou, garantindo que as ruínas de São Cucufate "voltarão a abrir logo que o IEFP contrate um novo funcionário para o local".
Por outro lado, salientou, grupos organizados podem visitar as Ruínas de São Cucufate mediante marcação prévia na Casa do Arco, um núcleo museológico situado junto àquele monumento nacional.
A villa romana de São Cucufate teve três fases de construção:
uma primeira datada de meados do século I a. C., outra de meados do século II e uma terceira de meados do século IV.
Os materiais recolhidos na villa fazem supor que terá sido habitada até meados do século V e abandonada no período visigótico.
No período muçulmano (séc. X ou XI) estabeleceu-se no edifício uma comunidade de frades que ali viveu possivelmente até à segunda metade do século XII, tendo S. Cucufate por seu padroeiro.
Em 1254, o edifício foi cedido ao mosteiro de S. Vicente de Fora, que aí instalou um novo convento, cuja ocupação se prolonga até meados ou finais do século XVI.
O edifício foi então abandonado porque ameaçava ruína, mas a capela, agora consagrada a S. Tiago, continuou aberta ao culto.
As pinturas murais que se observam no seu interior, datadas dos séculos XVII e XVIII, são da autoria de José de Escovar, artista residente em Évora e decorador de muitas igrejas da região.
A última data segura sobre o culto em São Cucufate é de 1723, ano em que faleceu o ermitão da capela, João Lopes.