Fernando Lima lembrado como inovador e exemplo na área da dança

Fernando Lima lembrado como inovador e exemplo na área da dança

O bailarino e coreógrafo Fernando Lima, que morreu quarta-feira aos 77 anos, foi lembrado por personalidades da área da dança como um inovador, um pioneiro e um exemplo em termos artísticos e de carreira.

Agência LUSA /

O coreógrafo e director da Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, Vasco Wellenkamp, disse à Agência Lusa que Fernando Lima foi um "excepcional mestre de bailado", mostrando-se "triste e emocionado" com a morte do seu primeiro director artístico.

Vasco Wellenkamp destacou Fernando Lima como "um inovador excepcional", responsável por um conjunto de "obras marcantes", num tempo em que "tudo era inóspito e incipiente na dança portuguesa".

"Fernando Lima deixou a sua marca nas pessoas com quem trabalhou e que influenciou", disse Vasco Wellenkamp.

Graça Bessa, da Companhia de Dança Contemporânea (CêDêCê), frisou a "carreira notável" do bailarino e coreógrafo, "um homem excepcionalmente vivo".

"Espero que lhe façam justiça e que seja lembrado como um alicerce da dança em Portugal", declarou à Lusa, caracterizando Fernando Lima como "um homem da cena, do teatro em sentido lato".

Fernando Lima "foi o primeiro a lançar grupos independentes, a adaptar o folclore e a transpor para a dança teatral o corridinho ou as danças e cantares do Alentejo".

Graça Bessa lembrou que o coreógrafo lhe "ensinou imenso" e elogiou o seu profissionalismo à frente da segunda fase da companhia de bailados Verde Gaio, recordando uma das frases emblemáticas de Fernando Lima quando notava falta de concentração dos bailarinos:

"Estamos a ver os carros eléctricos passar ou quê?".

A CêDêCê homenageou Fernando Lima encenando a sua criação "Jogos Sinfónicos" em Abril, em palcos de Alcobaça, Óbidos e Oeiras.

Num comunicado divulgado hoje, a CêDêCê considerou que Portugal perdeu "um dos seus melhores bailarinos", afirmando que é importante que "as novas gerações saibam quem trilhou caminhos muito antes".

Para um bailarino da geração mais jovem, como Luís Sousa, também da Companhia de Dança Contemporânea, Fernando Lima é "um ícone do que gostaria de ser no futuro".

Luís Sousa trabalhou sob a orientação de Fernando Lima quando este coreografou "Bocage" para a CêDêCê em 1994 e destacou a sua "boa disposição, camaradagem e profissionalismo", que se traduzia no "alto nível e bom relacionamento" que mantinha com os bailarinos.

Margarida Abreu, que partilhou com Fernando Lima a direcção da companhia Verde Gaio, mostrou-se "emocionada" com a notícia da sua morte, lembrando que o bailarino "foi um dos seus primeiros alunos".

"Foi um rapaz que sempre mostrou talento para a dança, foi contra todos os preconceitos da época, e era um óptimo bailarino e um excelente coreógrafo", disse em declarações à Lusa.


PUB