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Festival de documentário já recebeu sete mil pessoas

Festival de documentário já recebeu sete mil pessoas

O Dockanema, o primeiro festival de filme documental a realizar-se no Maputo, onde decorre desde sexta-feira e termina domingo, teve já sete mil espectadores, informou hoje fonte da organização.

Agência LUSA / Adicionar como fonte informativa

O Dockanema transformou Maputo na capital africana do filme documentário, ao exibir cerca de 70 obras de 23 países, entre os quais Portugal, em três salas de exibição na capital moçambicana e num cinema na cidade-satélite da Matola.

Ao contrário do que geralmente acontece em iniciativas do género, a primeira edição do Dockanema não tem secções competitivas nem vai atribuir prémios.

"Há uma grande ambição de tornar este certame um festival, o que pode ser muito importante para Maputo e para o cinema moçambicano, sobretudo na área do documentário", disse hoje à Lusa a realizadora portuguesa Susana de Sousa Dias, que apresentou em Maputo o documentário "Natureza Morta".

"Era uma vez um arrastão", de Diana Andringa, "Falta-me", de Cláudia Varejão, "à flor da pele", de Catarina Mourão, "Gosto de ti como és", de Sílvia Firmino, e "Movimentos perpétuos", de Edgar Pêra, são as obras que completam a presença portuguesa no festival.

Filmes de outros países de expressão portuguesa, como Brasil, Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau estão igualmente presentes nesta semana de filme documentário.

Moçambique está representado com as obras "Junod", de Camilo de Sousa, "Ferro em brasa", um documentário sobre o foto-jornalista Ricardo Rangel, de Licínio de Azevedo, "Casa do Gilson, nossa casa", de Chico Carneiro, "Celina Cossa", de Dário Fonseca, "Muvarte", de José Augusto Nahntumbo, "Marrabentando", de Karen Boswell, e "Mia Couto, desenhador de palavras", de João Ribeiro.

O Dockanema, um termo que ironiza com Kuxakanema, designação utilizada durante o regime de Samora Machel para os documentários de propaganda de 10 minutos que antecediam os filmes comerciais, é acompanhado pela realização de vários seminários de formação em documentário.

"Esta experiência parece-me uma proposta extremamente interessante por associar o vídeoarte ao documentário", considerou Susana Sousa Dias, que é igualmente docente de técnicas na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa.

O festival termina no domingo com uma projecção especial de "Os comprometidos", um documentário realizado pela holandesa Ike Bertels sobre o período do pós-independência em Moçambique.

É a primeira vez que se exibe em Moçambique este filme, centrado numa reunião que em 1982 o então presidente Samora Machel realizou em Maputo com elementos comprometidos com o ex-regime colonial português.


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